segunda-feira, 31 de dezembro de 2012

SÃO SILVESTRE 2012

A atmosfera que antecede este grande evento na cidade já está no ar.


Acordei cedo tomei café no Sábado dia 29/12/12, e já era hora de sair para buscar meu kit.

Resolvi deixar o carro em casa, e fazer o que me espera no dia da prova. Usei ônibus, trem e metrô, o que pra mim não é meu dia-a-dia, por usar carro, mas costumo fazer isso de vez em quando, para me lembrar das dificuldades que temos, em termos de transporte público.

O ônibus levou meia hora para chegar e que tarifa cara em São Caetano: R$ 3,30!. O trem e o metrô funcionaram de forma espetacular, mas sei que isso ocorre quando não se trata de horário de rush.

Sentei ao lado de uma mãe segurando seu bebê que não parava um instante de sorrir pra mim, com seus belos olhos azuis. Outra criança a viu e foi até lá para brincar. Essa cena alegrou a todos do vagão, até mesmo o olhar triste de uma mulher sentada no banco em frente ao meu.

Rapidamente, peguei o metrô e logo, já estava na Paulista pronta para descer a Brigadeiro, o oposto do que me espera no dia da prova. Próximo ao Ginásio do Ibirapuera, já se podia ver a movimentação. A fila era imensa, só que agora o olhar triste da senhora do trem, foi substituído por olhares curiosos e cheios de expectativa. Olhares de pessoas que desejam fazer algo grande com sua vida! É isso que esses eventos suscitam nas pessoas!.

Apesar da grande quantidade de gente, tive uma ótima impressão da organização do evento. A senhora que me entregou o número de peito, sorriu e disse em voz alta: - Boa prova Ana Luiza!. E lá estava eu, retirando com a senhora simpática, meu número 6114 entre os mais de 25mil inscritos.

Da retirada do kit para o dia da prova foi um piscar de olhos, e quando me dei conta, já estava na plataforma do trem com meus amigos da equipe de corrida SAI DA FRENTE!!!.

Enfim o momento da largada chegou. Um mundo de gente, cheia do chip esquisito e sofisticado no tênis aguardava ansioso a largada!. E após 25 minutos de prova iniciada, eu, Acácio e a bandeira da equipe SAI DA FRENTE passamos pela linha da largada!.

Várias celebridades marcaram presença: o surfista prateado, uma árvore de Natal, o mosquito da dengue (que se especializou em chegar em último lugar), Anderson Silva veio até com o ringue, cangaceiros, pedritas, Sherks, Rulk, Kiko e Chaves, um surfista com prancha, um presidiário, mulher maravilha, Toy Story e até Elvis cantando com caixa de som.

No meio dessa alegria, reservei meus momentos de silêncio para refletir.

Um dia antes abri minha caixa de sonhos que planejei para 2012. Dos 7 sonhos 5 se realizaram. Então decidi correr os primeiros 7 km da prova, em agradecimento, mesmo dos sonhos que não foram realizados. Escrevi 7 sonhos-metas para 2013, que ocuparam minha mente nos próximos 7 km. Fazendo as contas, me restou ainda o km final que serviu para minha caminhada na subida da brigadeiro (preciso confessar isso) e para minha comemoração!.

Apesar de correr há 8 anos, esta foi a primeira vez que participei da São Silvestre.

As mudanças feitas na prova neste ano foram muito bem vistas pela maioria dos meus colegas que participaram da prova e por mim também: percurso (com início e chegada na Paulista) e especialmente a mudança de horário para as 9hs, o que nos proporciona estarmos mais recuperados para a virada do ano!.

A São Silvestre é uma prova festa, ninguém está preocupado com o tempo de percurso e se estiver tem que largar na frente porque tem muita gente correndo!.

Os primeiros 5km da prova são muito bons, pois só tem descida, mas depois as subidas começam a aumentar e os últimos 5 km da prova exigem duas coisas: fôlego e principalmente pernas mesmo para quem está bem preparado!.

Obrigada pessoal da equipe SAI DA FRENTE, que me proporcionou mais um momento de alegria e diversão!. À todos meu carinho e homenagem neste texto.

Correr, escrever: duas das minhas paixões que se unem neste dia para agradecer 2012 e celebrar a chegada de 2013, com os imensos desafios que já tenho em mente. Literalmente, vou correr atrás de meus sonhos.!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SER PRESENTE

Os primeiros sinais de cansaço físico começaram a aparecer. Pode até ser o cansaço de final de ano, mas é preciso estar atento aos sinais. Desenhei num papel um círculo e dentro deste circulo, coloquei um ponto para visualizar cada atividade que realizo. O círculo ficou cheio e isso não é bom. Fiquei impressionada com a quantidade de atividades e com a diversidade de possibilidades onde estou investindo a minha energia, a minha vitalidade. É bem interessante ter diversidade de possibilidades, mas corremos o alto risco de ter nossa energia desfocada se não tomarmos cuidado e se não selecionarmos a direção. Sutilmente novas atividades vão surgindo, e por isso, descobri a importância de ter a disciplina de rever esporadicamente onde invisto minha energia.

O mundo de hoje nos faz agregar tantas coisas ao nosso dia-a-dia, flexibilizamos tanto nossa agenda e com tamanha facilidade e nessa balança os custos elevados recaem facilmente na fadiga excessiva. Ser flexível é importante, mas o mundo de hoje nos transforma em pessoas invadidas por atividades. Estar atolado de atividade é bem diferente do que ser flexível. É um mundo agitado que quer nos interromper à todo instante, que nos desfoca com muita facilidade. Quanta energia criativa desperdiçamos porque simplesmente não paramos para anotar uma idéia? Quanta energia criativa podemos estimular com as artes em especial a musica?. Mas muitas vezes somos mero expectadores, nos tornamos apenas apreciadores passivos dos resultados de quem investe seu tempo com estas atividades. Então novamente surge o que já chamei de TDAS – Transtorno de Déficit de Atenção Social.

Me lembro que em 2000 quando fiz pós-graduação em Serviços de Telecomunicações, um dos filmes futuristas que vimos, foi de um pai passeando com seu filho pela plantação de milho. O celular toca e ele pede um instante para o filho para fazer uma rápida conferência com o pessoal do trabalho e depois de finalizar a conferência e enviar os gráficos por email, ele volta a passear com seu filho pela fazenda, com tranqüilidade e transmitindo a sensação de mais tempo livre. Eu achei aquilo um verdadeiro oásis de prazer. Mas o filme que hoje já não é mais futurista, nos trouxe essa tranqüilidade de caminhar pela plantação de milho?. Como está nosso tempo livre?. Temos tempo livre? Como nos sentimos quando temos tempo livre? Por que as pessoas tem tanta dificuldade nas agendas?.

Me pergunto: Onde estamos gastando nossa energia, nossa vitalidade? Nas atividades que desempenhamos, como andam os resultados? O que estamos transmitindo às pessoas?. O que temos recebido de volta?. Percebo à minha volta muita gente que não está presente naquilo que faz.

Infelizmente ainda vivemos num mundo onde poucos tem a opção de viver seu dia como gostariam. Mas as poucas horas onde muitos podem se dedicar ao que querem, simplesmente não conseguem se desligar, silenciar, rever, se organizar e ter disciplina para manter o foco. É preciso gerenciar nossos pensamentos.

Vejo que uma das grandes causas que movimentam esse comportamento nocivo é essa sociedade acelerada, que nos tornam mais fugazes, mais velozes e mais instantâneos, devido ao excesso de estímulos dos quais somos vítimas. Esse reflexo se evidencia em nosso comportamento. O real e o virtual se misturam e nos confundem. O que do virtual é real?. Em que mundo estamos mais presentes: no real ou no virtual?!.

Onde estou investindo minha energia? Pergunta que temos que fazer constantemente, pois o mundo de hoje nos permite ESTAR PRESENTE em vários lugares mas SER PRESENTE é completamente outra coisa.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

OLHAR DE ESTRANGEIRO

A ansiedade humana de mudança

Que nos agita como a tempestade

A rotina e os momentos de tristeza,

Se dissiparam na força da felicidade


O desejo de fazer diferença

De ir à diante, de permanecer

Sonhar, viver

De lembrar e ser capaz de esquecer



Caminho pelas mesmas ruas

Pelas mesmas esquinas

Com a coragem para desvendar

Novos mundos, novas pessoas


Olho para o mesmo

Com olhar de estrangeiro

Aquele olhar curioso e atento

revelador de novos desejos

quinta-feira, 6 de setembro de 2012

Saudação para formatura 3a. turma Promotoras Legais Populares SCSul

São Caetano do Sul, 04 de setembro de 2012.


Discurso de Saudação e homenagem às mulheres presentes na formatura da 3a. Turma de Promotoras Legais Populares de SCSul- SP.


O que é ser mulher?
Há algumas décadas atrás diziam que a mulher era a dona de casa, a cuidadora, aquela que zelava pelo bem estar da família. E hoje? Quando estudarem nossa geração, o que vão dizer? Que ganhamos o mercado de trabalho? Ou será que vão lembrar da geração da mulher fruta: melancia, pera...? Sei lá, acho que na verdade, ganhamos apenas um abacaxi diferente pra descascar. E o que falar então da mídia, que em meio a tanta corrupção, quer eleger a musa da CPI?.
O que é ser mulher?
Parei por alguns instantes para refletir sobre minha própria história. Onde este questionamento começou?.
Tudo começou no parquinho. Me lembro que gostava muito de correr, eu gostava tanto que era a criança que mais corria. Um dia um menino disse pra mim: - Você não pode correr assim!. E eu perguntei: - Por que?. E ele me respondeu: - Porque você é menina!. Então pensei: - mas eu só quero brincar de correr!.

Participar do movimento Promotoras Legais Populares torna mais vivo e próximo, o sonho da construção do processo para que as mulheres possam viver mais a resposta do que a pergunta que tenho me questionado ao longo dos anos: Mas o que é ser mulher?. Pra mim, ser mulher, é ser aquilo que eu quiser ser, sem pré-definições, sem padrões artificialmente construídos pela sociedade e atribuidos às mulheres. Estou cansada de revistas que ditam regras e normas de comportamento feminino e de uma sociedade, que para olhares mais atentos, sabe que além da violência explícita, existe muita violência velada contra às mulheres.

Que tal começarmos a jornada em busca das nossas próprias respostas para o que é ser mulher?.

Esta é uma simples homenagem à todas as mulheres presentes neste momento histórico de nossa cidade, que tem a coragem em fazer estes questionamentos e que ousam dedicar seu tempo para a construção de uma sociedade pautada no valor da IGUALDADE.



terça-feira, 31 de julho de 2012

FOLAR meu pão da vó

Neste mês de julho, foi comemorado o dia dos avós e a minha paróquia teve uma bela iniciativa: publicar um livro de receitas das avós. Adorei esta proposta e em homenagem à uma geração de minha família, gostaria de compartilhar com todos, a receita que encaminhamos e a história dela.


FOLAR

Meu pão da vó

receita tradicional de Portugal

Em 1958, uma pequena família atreveu-se a deixar sua pátria em busca do sonho do novo mundo. Gente simples, que o pouco dinheiro que ganhava, guardava debaixo do colchão. Alguns anos já no Brasil, fixaram endereço na rua Amazonas em São Caetano do Sul - SP, por volta do número 300- centro da cidade. E como portugueses típicos, abriram seu comércio.

Era um pequeno bar e nos fundos um quarto que abrigava a família de 5 pessoas: minha avó e avô paternos, meu pai, meu tio e minha tia-avó. Junto com eles desembarcou no Brasil, uma receita típica da sua aldeia Gestosa em Trás-os-Montes, província lusitana já bem próxima do país vizinho: Espanha (contava meu avô que era possível cruzar a fronteira a pé).

Era comum, na época de celebração da Páscoa e na festa de Nossa Senhora da Assunção (festa típica da região celebrada até os dias de hoje, em 15 de agosto) se preparar o Folar. Esta tradição se perpetuou em nossa família até os dias de hoje. Pão que carinhosamente apelidamos do pão da vó, mas que sempre foi feito por sua irmã Otília de Assunção, nome que lhe foi dado em homenagem por ter nascido na época da festa.

Se me perguntarem um gosto que me remete a infância sem hesitar, logo vou responder: claro que é o folar. Pra mim a Páscoa tem gosto de folar. Me lembro que aguardava ansiosa chegar essa época do ano, que por mais que insistisse, ele só era preparado para a Páscoa. Assim, eu poderia, durante toda a semana, levá-lo como lanche da escola. Apesar de sempre dividir minhas coisas com os outros, lembro bem que se precisasse dividir o folar, eu tirava um pedaço bem pequeno.

Nos últimos anos, a idade avançada das duas, fez com que minha mãe Ana Rosa assumisse o posto em continuar a perpetuar esta tradição familiar. Para prestar esta homenagem aos avós, convenci minha mãe a preparar o pão fora de época. Juntas queremos prestar esta homenagem à uma geração de nossa família, que nos deixou saudades, histórias e o prazer em forma de receitas.

Minha tia avó Otilia, 85 anos, é participante desta comunidade.

Minha avó Berta Augusta faleceu no dia 12 de março de 2011, dia do meu aniversário. Ambas celebramos a vida, apenas em dimensões diferentes.

O folar é um pedaço muito gostoso da história de nossa família, que nos proporciona a celebração da alegria, união e vida.

Curiosidades - minha tia Otília dizia que não podia "cutucar " a mesa,

enquanto a massa aguardava crescer para ir a forno, senão o pão não crescia.

Necessário preparo físico para sovar a massa!!!..rs.rs.rs...



Ana Luiza da Silva Garcia





Ingredientes para o recheio

400 gramas de baicon

250 gramas de apresuntado

1 linguiça portuguesa grande

1 paio médio

Todos estes ingredientes devem ser cortados em cubos graúdos.

1 xícara e meia de azeite extra virgem



Ingredientes da massa

140 gramas de fermento biológico

1K e meio de farinha de trigo

12 ovos (de preferência que estejam na temperatura ambiente)

1 colher de sopa de sal

1 xícara de água morna



Modo de preparo

- Fritar o baicon em uma xícara e meia de azeite - até o baicon reduzir pela metade.

- acrescentar ao baicon, as outras carnes e deixar fritar por um pouco mais de tempo.

- tirar as carnes e reservar o azeite (que será utilizado para o preparo da massa)

- peneirar 1 kg de farinha em uma bacia funda (o outro meio quilo será usado para sovar a massa)

- abrir um buraco no meio da farinha para acrescentar os ingredientes a seguir:

1 - o sal

2- o fermento - que deverá ser dissolvido em um copo de água morna

3- os ovos

4 - o azeite que estava em reserva (utilizado para fritar as carnes).

- misturar todos os ingredientes

- sovar a massa ao ponto de desgrudar da mão. Utilizar o restante da farinha para isso.

- dividir a massa em três partes (ela ainda vai grudar um pouco).

- untar uma forma funda com azeite e abrir uma das partes da massa com a mão e rechear com metade das carnes

- Repetir o processo com a segunda parte a massa

- Cubrir com a terceira parte da massa.

- IMPORTANTE: ao colocar a última parte da massa fechar bem para que ela não abra.

- Deixar a massa crescer até dobrar o volume. A massa deve ser coberta com toalha grossa bem seca.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

PLANTA DA FELICIDADE

PLANTA DA FELICIDADE

Era uma muda pequena, com galhos bem tortuosos, uma "amostra" da planta popularmente conhecida como planta da felicidade ou da fortuna . Ela foi colocada na sacada do apartamento e resistiu bravamente, às intempéries do tempo e da falta de tratamento por parte de sua dona. Era pouca água, pouco solo, muito vento, e às vezes falta de sol ou excesso dele. A planta passou vários meses mais parecendo um estorvo, um convite para o tropeço dos convidados, que ao visitarem a sacada, mal podiam sentir a presença daquela pequena plantinha colocada num cantinho às escondidas.

Mas a plantinha resistia bravamente ao ambiente inóspito e à sua dona. Até que ela, olhou para aquela resistência com olhos caridosos e cedeu à bravura daquela pequena muda e inspirou-se no seu trato com mais afinco (ou melhor, com pelo menos um pouco de afinco).

Meses foram se passando e agora a planta recebia um pouco mais de água regularmente. Em resposta aos pequenos cuidados, esboçou um rápido crescimento de suas folhas verdes que se espalharam intensamente pelo tronco pequeno e tortuoso. A felicidade de sua dona começou a brotar e quanto mais ela se sentia feliz, mais a planta respondia à sua felicidade.

Mas as intempéries do caminho, nuvens mais poluídas, em meio aquela felicidade, trouxeram à plantinha, uma praga. Suas folhas verdes começaram a ser tomadas, e a praga se espalhou de forma imperceptível e inocente enquanto a dona, mantinha o foco na estética. Mas bastou um dia querer ver com olhos de lupa, para perceber a rápida proliferação da praga em sua planta.

Começou então uma campanha para mantê-la viva. Sua dona começou a limpar, folha por folha, cuidar de cada galho. Mas as folhas, àquela altura, já tinham perdido muito de seu brilho, seu tom verde já não apresentava mais vivacidade, eram folhas verdes pálidas e apáticas. Então, mesmo depois de ter limpado as folhas, a praga reinscindiu. Novamente, cada folha, cada galho, foi cuidado especialmente. Até que não houve outra alternativa para a dona a não ser, cortar aquelas folhas verdes, na esperança, de que novas pudessem brotar.

A árvore agora com aparência desértica, continuou resistindo às mudanças de estação e em pleno outono, resolveu começar a brotar novas folhas verdes vivas na cor e espessura. Mas agora a dona tinha outro problema para resolver, precisava viajar. Quem poderia lhe ajudar neste momento?. Todo aquele esforço e aquela parceria precisava continuar. Então ela pediu à sua vizinha que naqueles dias de sua ausência, pudesse cuidar de sua plantinha.

Mais um tempinho se passou e a planta continuava lá vistosa, esbanjando beleza. Mas veio novamente a praga, quando menos se esperava, e quando parecia ser aquele apenas um capítulo do passado ( como na nossa vida). Foi preciso pensar em combatê-la de nova forma, por um novo ângulo (muitas vezes a única solução para resolvermos vários problemas), pois em breve não haveria outra solução a não ser cortar novamente as folhas. Sua dona naquele momento, foi tomada por uma vontade de desistir. O que a fez mudar de idéia? A resistência que a planta havia apresentado desde o começo. Então ela foi na loja de jardinagem e comprou um remédio. A praga era forte, pois precisou de um tempo para que o remédio fizesse o efeito esperado, mas fez. A planta resistiu e como resposta, esbanjou sua melhor forma. Mais folhas verdes viçosas foram se espalhando pelo galho verde e tortuoso. A planta respondeu ao caos com vida plena. Agora sua dona curte a boa forma estética de sua planta, mas de vez em quando, olha com olhar de lupa.

Chegou um momento em que a dona da planta parou para refletir: - por que esta planta insiste em resistir ao tempo? A resposta veio rapidamente em seu íntimo. Ora, ela havia sido dada com muito amor pela sua mãe.

E assim, a natureza nos ensina que todos precisamos das pessoas por perto para nos dar àgua (vida), que outras vezes, não conseguimos sozinhos cuidar e precisamos dos outros para regar nossas plantas (para nos ajudar em diversas situações vividas). Muitas intempéries podem surgir no caminho, como o vento o excesso do sol, a falta dele e que teremos que resisitir nesta jornada, muitas vezes em silêncio, às vezes sendo aquela plantinha escondida no canto da sacada. Mas podemos crescer tanto com o sofrimento que nos tornamos vigorosos, e já não passamos mais despercebidos. Outras vezes, vamos precisar de remédio, outras vezes não. E assim, vamos dando equilíbrio à vida.

Mas a dona acredita, deposita sua fé e esperança no fato que de aquela planta sobreviveu à tantas adversidades porque ela foi dada com amor pela sua mãe. Em tempos de vínculos à curto prazo, de satisfações momentâneas e instantâneas, eis a maior prova do amor : resistir ao tempo.

Esta é a história da minha planta a felicidade e da fortuna que mora comigo desde 11 de janeiro de 2011.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gestos Solidarios

Era uma vez.......


A professora estava preocupada, pois acordou com uma forte dor de garganta e justamente naquele dia, precisava ensaiar com seus alunos a peça de encerramento do semestre.

Chegando na sala, percebeu que somado à sua dor de garganta os alunos estavam inquietos. Os ensaios começaram e muitas cenas precisavam ser corrigidas. Alguns alunos queriam trocar de papel e começaram a negociar com seus colegas. A professora via toda a cena, todo aquele movimento, mas sem sua voz, não estava conseguindo fazer com que seus alunos voltassem à atenção aos ensaios. Até que resolveu mostrar à todos eles, sua insatisfação, através do seu silêncio e de seu rosto que agora ficara fechado. Vendo aquele gesto, um aluno após o outro, começou a repetir o mesmo silêncio e fisionomia. Um e outro aluno distraído, levou uma bronca dos próprios amiguinhos, até que o silêncio se estabeleceu.

A professora conversou carinhosamente com todos eles, mostrando que precisavam se organizar para atingir o resultado satisfatório na peça. E então, um fato inusitado começou a acontecer. Uma aluna estendeu a mãozinha para a outra e pediu perdão, porque achou que sua colega ficou chateada por ela ter solicitado a troca de papel. Mas sua amiguinha, continuava com a cara fechada, o que não a impediu de insistir, até que ela concordou com o pedido e lhe estendeu a mão de volta. O gesto solidário foi se repetindo entre os outros alunos. Mais mãozinhas começaram a se estender para outras, e começaram a pedir perdão uns aos outros. Mesmo quem não tinha feito nada, na garantia, resolveu pedir perdão, porque queriam estender a mão e participar da brincadeira com seu amiguinho. No fundo, queriam era manter a amizade. Queriam reestabelecer a alegria e o bom convívio que já tinham alcançado.

De repente, um aluno se levantou e sugeriu para os outros coleguinhas dar um abraço na professora, porque não queria que ela ficasse mais chateada com eles. E todos sairam correndo para abraçar a professora e dizer o quanto gostavam dela.

O sinal bateu, mas os alunos não estavam com pressa para ir embora naquele dia. Queriam ajudar a professora com os materiais. E ela se viu precisando inventar tarefas para incluir à todos nesta ajuda.

Aquele dia a professora foi para casa se questionando: " - E ainda acho que sou eu que estou ensinando!".

- Onde foi parar nossa inocência?

- Onde foi parar nossa capacidade para perdoar?.

- Muitos perdoam em pensamento. Mas será que demonstram? Verbalizam?

- Mas o pior de tudo isso é: - Onde foi parar nossa capacidade de reconciliação?. Eu perdou mas te excluo da minha vida sem ter a chance de reparação. Que tipo de perdão é esse?.

- Onde foi parar nossa capacidade de incluir ao invés de excluir?

- Onde tudo isso foi parar?. E sem isso, onde vamos parar?.

OBS : Comecei o texto, com o Era uma vez...., porque atitudes como estas, estamos vendo apenas em contos de fadas e no mundo das crianças. Mas mantenho a esperança, do desafio de viver este gesto de amor em meu cotidiano: em buscar sempre a reconciliação e não me contentar apenas com o perdão.
                        Com carinho, agradeço aos meus alunos que me fizeram vivenciar esta incrível experiência.

domingo, 22 de abril de 2012

Andar de Bicicleta

        Depois de ter passado 40 dias no deserto esvaziando as malas, vejo mais claramente o que permaneceu. Deixei lá coisas importantes, mas restam ainda, algumas coisas que precisam ser retiradas para deixar a mala ainda mais leve, como deve ser. Outras coisas ainda precisam ser colocadas. Em alguns momentos, penso no que faltou, mas prefiro pensar no que já foi feito. E este é o ponto importante que acabei me deparando nos últimos tempos. Estava dando mais força para o que faltava, e assim vivia uma eterna angústia de insatisfação permanente. Parece ser este um velho hábito do ser humano, que nos leva muitas vezes a perder a oportunidade de saborear as pequenas conquistas já efetivadas.
        Passei estes dias todos pensando num teste psicológico que fiz. Num dos desenhos propostos, eu fiz uma bicicleta. Eu desenhei uma bicicleta faltando um pequeno pedaço. Da para acreditar?.  Além disso, não havia ninguém dirigindo, o selim estava desocupado.
        A bicicleta para ser movimentada, precisa da nossa força humana. Ela é necessária para dar início ao movimento. Geralmente as primeiras pedaladas exigem de nós uma força maior, mas depois é como se o movimento ganhasse sua própria cadência. Durante o percurso é preciso estar atento, mesmo quando se sabe a direção a ser tomada, pois obstáculos certamente surgirão. Muita coisa nova virá pelo caminho, outras já bem conhecidas estarão presentes, mas não podemos achar, com nossa arrogância, que já sabemos exatamente o que fazer, pois às vezes, aquele velho obstáculo já conhecido pode nos balançar e até derrubar, se não mantivermos foco na estrada.
        Por ser um veículo que exige o emprego de nossa força física, precisamos calcular bem a distância a ser percorrida a cada dia, pois senão corremos o risco de não conseguir percorrer todo o percurso, vencidos pelo cansaço. Por isso, é preciso dosar as energias, é preciso recarregar as forças. É preciso pensar com sabedoria para se ter a perfeita estratégia. Às vezes, os primeiros quilômetros podem parecer mais lentos, talvez devam ser, para que se possa percorrer todo o caminho.
        Algumas vezes podemos achar que nada está sendo feito, que as coisas parecem estáticas. Outras vezes, outros ciclistas vão passar correndo por nós, e a aflição vai bater à nossa porta, na intenção de acompanhá-los. Mas o importante é que ela seja controlada, que seja apenas por um momento. Isto será inevitável, mas é preciso ter paciência, porque não sabemos a distância a ser percorrida pelo outro ciclista. Pode ser que seja a estratégia errada a seguir, ou seu caminho pode ser outro. O importante é confiar e continuar seguindo. Manter a estratégia ou mudá-la se for preciso. E sempre manter-se na estrada.
        Com esta história de bicicleta, fiquei curiosa para saber mais sobre o ciclismo. Conversando um amigo ciclista, aprendi várias coisas muito interessantes. Este é um esporte que apesar de ter seus destaques individuais, exige um intenso trabalho em equipe. No ciclismo existe o sprinter, considerado o melhor velocista da equipe. Geralmente ele deverá permanecer no meio do pelotão, até abrir o caminho para conquistar a vitória no final da prova. O ciclismo tem também o passista, que muitas vezes assume a liderança da prova, para dar o ritmo. Seu papel é muito importante na estratégia de evitar a fuga dos concorrentes, ou o contrário também, na tentativa de realizar uma grande fuga. Pra dar o suporte à toda equipe, os gregários estão sempre à disposição, quanto à informações, alimentação, e todo o suporte que for necessário. Algumas vezes, estarão à frente para quebrar o vento. E depois de todo este esforço de uma equipe, as pontuações se dão em etapas de contra relógio com premiações por equipe e premiações individuais. Ou seja, é um esporte altamente estratégico, que destaca as forças individuais e coletivas.
        Diante desta história curiosa sobre bicicleta, eu fiquei pensando: Quem são os ciclistas que estou convidando para pedalar comigo? Quem são os ciclistas que muitas vezes venceram a força do vento por mim? Quem são os ciclistas que já deixaram de ganhar por minha causa? Por quantos eu já cedi o meu lugar? Quantos ajudei a se tornarem vitoriosos? Preservo o equilíbrio do grupo? Ou só quero que os outros sirvam de escudo contra o vento?.
        Recentemente nas minhas pesquisas sobre gênero, eu assisti um filme : Flor do Deserto, que conta a história da modelo Waris Dirie. Ela diz um ditado africano muito interessante "o último camelo anda tão rápido quanto o primeiro", ou seja, querendo ou não nós afetamos a vida das pessoas e elas afetam a nossa. Como estamos afetando a vida dos outros? Como os outros estão afetando a nossa vida? Estamos encontrando o equilíbrio nesta equação?. Conseguimos acessar a vida dos outros? Permitimos que os outros acessem nossa vida?. Gosto muito de uma frase de Bauman que diz " a abertura aos outros é a precondição da humanidade".
        A beleza do ciclismo está neste trabalho em grupo. Quanto mais uma equipe se organizar, mais terá chances de vencer. Para isso acontecer é preciso ter empatia, se envolver, conhecer os seus limites e dos outros, mas isso só será possível se estivermos dispostos a andar de bicicleta juntos, porque é na jornada que vamos nos descobrir. Neste trabalho, conhecer os limites, é necessário apenas com o objetivo de saber como poderemos contorná-los, superá-los. Isso somente é possível se estivermos preparados para ajudar o outro não apenas apontando, mas contribuindo no processo de mudança, por outro lado também, temos que estar dispostos em aceitar críticas. Este processo vai exigir de nós muita coisa, pois teremos que aprender a perdoar e deixar de nos culpar sobre os nossos próprios limites, pois é preciso seguir em frente, caso contrário a culpa nos paralisa, e também nos afasta de pedir perdão a quem precisamos. O que vale é que a intenção de superação prevaleça. Numa atitude vencedora sempre existe a necessidade de mudar, de ampliar minha capacidade e de trabalhar meus limites.
        Diante disto, o que estou esperando para terminar minha bicicleta? Falta tão pouco. Nesta jornada, como qualquer um vou colher, vitórias e derrotas. Mas o importante é fazer das derrotas uma alavanca para o sucesso.
        Penso que o mais interessante em ter escolhido a bicicleta, é que para movê-la, preciso da minha própria força. Poderia ter desenhado um carro, um avião, mas a bicicleta me dará uma vitória mais gratificante porque vai exigir esforço e luta, junto daqueles que fazem parte da minha equipe.
        Agora preciso me preparar, pois é hora de dar minhas primeiras pedaladas como alguém que deseja mudar o mundo. Neste processo, sempre vou precisar trabalhar as mudanças em meu mundo interior, acertar a quantidade de coisas na mala e estar preparada para sempre reorganizá-la quando necessário. Este será sempre um processo contínuo, sempre em movimento, como as pedaladas da bicicleta.
        Dedico com carinho este texto aos que fazem parte da minha equipe, meu amigo J. pelas preciosas informações sobre ciclismo.

domingo, 25 de março de 2012

ALMA DE SILICONE

Estou tão cansada de dizer não e, de manhã relembrar tudo o que comi no dia anterior. Contar cada caloria que consumi pra me odiar na medida no chuveiro. Eu vou comer. Não quero ser obesa. Só me livrei da culpa. E sabe o que mais? Terminamos essa pizza, vamos à partida de futebol, e amanhã, vamos sair e comprar jeans num tamanho maior.
                                                                                                 Trecho do filme:Comer Rezar e Amar.

Nas minhas caminhadas pelo centro da cidade de São Caetano na hora do almoço, resolvi parar na banca de jornal para fazer uma pesquisa de campo em busca de respostas para essa obsessão pelo corpo feminino. Observei a capa de 41 revistas expostas nos principais lugares da banca de jornal, e pasmem: destas 41 capas 37, exaltavam rostos e corpos de mulheres, ou algum tema de destaque sobre dieta e comportamento feminino. Mal começo a pensar no efeito que isto causa às mulheres, e logo vejo a frente um cartaz gigantesco, exaltando mais um rosto bonito ou mostrando mais um corpo feminino “sarado”.


Hoje dizem por aí que a mulher tem a liberdade para realizar seus sonhos, que hoje ela sabe mais o que quer e cada vez mais ocupa o espaço na sociedade. Será? Será que esta ocupação do espaço não está acontecendo por necessidade do mercado?. Quais os sonhos que a sociedade tem sonhado por nós mulheres? Apenas sei que hoje não há uma conversa entre mulheres que não envolva uma dica nova de dieta, ou algum comentário sobre quilos extras a serem perdidos. E assim foi plantado no inconsciente coletivo feminino o desejo em alcançar uma beleza física invejável.

Fiquei pensando o porque desta obsessão. Ninguém pode negar que ter beleza física abre muitas portas. Então imaginei que esta questão está intimamente ligada, intrínseca à outra questão: ao PODER.

A busca pelo poder passa por diferentes caminhos quando tratamos da questão de gênero. Para os homens esta via pode ser alcançada através de cargos de alto escalão nas empresas ou por cargos políticos. Já em relação à mulher, historicamente sempre foi muito comum a busca do poder via beleza, desde os tempos primórdios da realeza. Hoje basta observar quantos políticos ou executivos, tem esposas muito mais jovens e belas. Infelizmente é realidade.

Me lembro uma vez na praia onde estava com alguns amigos, o que aconteceu quando uma mulher passou desfilando seu corpo perfeito. Imediatamente um deles virou e falou para o amigo: “está aí uma mulher que a gente nunca poderá ter”. A cada metro de praia mais homens a devoravam com o olhar. Ela representava um objeto de consumo de destaque na prateleira que jamais precisaria entrar em liquidação para ser comercializada.

E assim cada vez mais mulheres livres se tornam escravas de seu próprio corpo. E cada vez mais a indústria do silicone agradece. São mulheres e adolescentes que desejam seios maiores, bumbuns maiores, pernas e até panturrilhas maiores. São cada vez mais mulheres se entregando à cirurgia plástica com preocupação de continuarem interessantes para seus maridos, namorados.

Que contradição! Existem mulheres no Oriente Médio que sofrem até hoje com a mutilação de seus órgãos genitais e nós aqui no Ocidente, estamos pagando para sermos mutiladas em processos cirúrgicos. Conversando com outro amigo sobre relacionamentos ele me alertou: olhe a sua volta quantas mulheres bonitas tem. Pra que querer ficar presa com uma?.

Em um mundo onde as pessoas cada vez tem menos papo é o físico que atrai. E num mundo onde as pessoas cada vez mais não querem relações duráveis, a beleza física pode garantir variedade. E assim cada vez mais mulheres invadem as estatísticas dos transtornos alimentares, com o patrocínio da sociedade. Nas filas dos restaurantes vejo cada vez mais pessoas, comendo saladas e esquecendo dos outros nutrientes tão importantes para o corpo.

Este artigo vem para refletir um grande questionamento que comecei a fazer a alguns anos atrás: Como me livrar das guarras desta pressão social?. Eu vivia sempre com aquela sensação de uma eterna insatisfação com o meu corpo. Vivia sempre brigando com a balança para perder aqueles dois quilos que por mais míseros que fossem, seriam fundamentais para mudar minha numeração de calça e me incluir, segundo os padrões e normas sociais, na numeração pertencente as magras. Foi então, que decidi decretar a minha independência. Como o diálogo do filme eu me libertei desta culpa. Não foi um processo fácil. Parecia uma adicta tentando me libertar daquele vício. E por onde passava, mais revistas, mais anúncios na tv e nas ruas, me tentavam a voltar aos velhos hábitos. Foi preciso ter muita resistência, muita paciência e foi preciso trabalhar muito minha auto-estima frente ao espelho e aprender a me gostar. Este exercício mental, me fez perceber como de fato é difícil se libertar dessa armadilha tão real e inserida tão sutilmente no cotidiano feminino. Mas é preciso saber que este valor sutil pode derrubar até mesmo uma mulher de grande auto-estima. Seu poder destrutivo é imenso.

A mulher precisa se livrar desta culpa socialmente produzida para ser mais livre e independente. Hoje ser uma mulher com uma carreira promissora, não garante a felicidade, a liberdade emocional.

Quem já não passou por aquela situação de encontrar um ex-namorado com a atual dele e alguém soltar aquele comentário: - Como ele pode ter te trocado por essa mulher feia? À princípio ouvir isso gera um certo alívio, e tendemos rapidamente a utilizar esta justificativa sem precisar rever nossas atitudes, nossos erros, já que posso encontrar o contentamento necessário na simples resposta: ele tem mal gosto, não faz sentindo ele ter me trocado por essa outra. Por outro lado se a mulher for bonita, ninguém fará comentário algum, pois socialmente já está implícito e justificada a mudança, não há o que se justificar. Assim muitas mulheres temem ser trocadas, mas ser trocadas por uma mais bonita, é muito desgosto, muita frustração a ser trabalhada. E o pior: a mudança é aceita naturalmente pela sociedade.

Nós precisamos muito mais do que uma salada e um frango grelhado para nutrir nossos corpos. Estamos numa sociedade de almas desnutridas. Um belo corpo pode atrair um homem mas um parceiro de vida é outra coisa. Pra mim uma mulher poderosa é aquele que come um pedaço de bolo de chocolate e ainda repete se tiver vontade sem fazer cerimônia ou algum tipo de comentário sobre dieta. É aquela que se dá esse prazer sem culpa. Mulher poderosa é aquela que faz dieta pra cuidar de sua saúde. Um corpo melhor é apenas consequência e não obsessão. Mulher poderosa é aquela que deseja ser para alguém, e não um objeto que alguém deseje ter.

Quanto aos homens, alguns tão inteligentes, só posso lamentar por ainda fazerem comentários tão preconceituosos. É preciso rever tais atitudes. O excesso da exaltação da beleza feminina está virando problema de saúde pública. Está adoencendo os relacionamentos. Pois no dia a dia convivemos com a personalidade de alguém, o corpo passa a ter papel coadjuvante.

Escrevo com a esperança de quem sabe, por exemplo, a próxima vez que formos fazer uma promessa, que possamos estar mais disponíveis para ajudar, ou rezar mais. DEUS já deve ter cansado de sacrifícios que envolvam chocolate, doces, churrascos e bebidas alcoólicas. Pare de tornar aquilo que você gosta num eterno vilão. Espero com este texto que muitas mulheres inteligentes que conheço enfrentem-se no espelho. Que possam olhar para si e encontrar a coragem para admirar suas rugas, cicatrizes, celulites e estrias, pois esta imperfeição é externa, feita de pele. Tenho esperança que esta mudança nos leve a desejar a mudar as imperfeições que carregamos na alma. Que possamos gastar mais tempo cultivando idéias e não os músculos. E enfim, espero contribuir para uma nova consciência feminina, que possamos lutar contra esta escravidão que insistem em nos impor. E espero que este texto possa atingir também aos homens que procurem mudar o seu padrão, para que homens e mulheres possam ser mais felizes.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Desconectar-se para conectar-se com Deus

Começamos o período da Quaresma.
É momento de deserto, de vivenciar um retiro espiritual.

Fiquei pensando o que desejo para este período de deserto, e o que quero fazer, é uma travessia com malas mais vazias. Para isso acontecer, é preciso diminuir o amontoado de coisas da bagagem. Assim, será mais fácil carregá -la por todo o trajeto. Então fiquei pensando : - Quais as bagagens que desejo excluir?. O primeiro passo é abrir a mala. Quando abrimos a mala, às vezes retiramos coisas que achamos que são muito pesadas, mas acabamos por descobrir que não são tão pesadas assim, e não ocupavam tanto espaço como imaginávamos. Do mesmo modo, ao abrirmos a mala, vamos descobrir que existem bagagens que estamos carregando e que são mais pesadas do que supomos. Estas geralmente estão guardadas em um cantinho bem escondido, por debaixo de outras coisas. Teremos trabalho para retirá-las, pois outras coisas foram colocadas na frente, e somente sairão se esvaziarmos a mala. No começo pode parecer perda de tempo, mas se não o fizermos agora, mais tempo será perdido ao longo da travessia.

Quero atravessar este deserto com malas leves, apenas com o necessário. Nesse processo de travessia precisamos estar atentos e vigilantes, pois não irão faltar oportunidades, novas coisas no caminho. E se não estivermos preparados, vamos voltar aos velhos hábitos, apenas inserindo novas coisas no lugar das antigas e assim, nossa bagagem continua a ser pesada.

Quero refletir sobre a arte de conviver.

Quero expandir minha capacidade de mudar aquilo que preciso mudar, pois todo cristão deve alimentar ardentemente esta chama. Desejo que a frase: “eu sou assim”, seja excluída do nosso vocabulário.

Quero ser mais cristã em todas as áreas da minha vida, enquanto filha, irmã, amiga, assistente social, professora, em todos os lugares e com todos aqueles com quem convivo. Vocês já pararam para pensar como às vezes, conhecemos pessoas que são ótimos pais, maridos ou esposas, namorados e namoradas, mas são péssimos chefes? O contrário também se aplica. Como somos vistos pelos nossos familiares? Pelos nossos colegas de trabalho?. Pela comunidade?. Enfim, nos espaços sociais que ocupamos? Quantas máscaras colocamos? Precisamos com urgência romper esta dicotomia. Muitos dizem que é preciso separar trabalho da vida pessoal, mas quantos de nós não deixamos pra trás alguns valores nesta divisão?.

Ser autêntico nos dias de hoje é um grande desafio, pois oportunidades para se colocar máscaras temporárias são apresentadas a todo instante. Quantas vezes somos induzidos a ter certos comportamentos padrões, que ferem nossa integridade? E como agimos diante destas situações?. Não podemos esquecer que nesta travessia do deserto várias tentações nos serão apresentadas ou sutilmente sugeridas.

Quero buscar esta autenticidade e somar à ela serenidade, características que são extremamente difíceis de serem vivenciadas nos dias de hoje.

Quero desligar mais a tv e o rádio, diminuir meus acessos a internet, me desconectar para me conectar mais com Deus e quem sabe assim, silenciando mais o ambiente, consigo acalmar esse mar agitado que existe dentro de mim.

Nessa travessia individual eu não quero estar só, por isso vou levar Jesus comigo. Quero silenciar mas com Jesus, deixar Ele entrar em lugares que nem eu mesma conheço, pois mergulhar em seu amor é ter uma vida de serenidade, mesmo com as injustiças que nos rodeiam. Mesmo assim, é preciso serenidade, pois sem ela não encontramos caminhos para resolver as coisas com sabedoria. É preciso aquietar a alma para pensar melhor. Escrever pra mim, serve como exercício nesta busca. Então me vem um pensamento: - Estamos passando serenidade para os outros? Alguém já lhe disse que você passa leveza?.

Nossa alma moderna é agitada, entramos no carro e não ficamos sem ligar o som. Se vamos caminhar, nunca sem um fone de ouvido ou um celular e não ficamos em casa sem ligar a televisão. Silenciar é se reciclar, não é para quem não tem o que fazer. Quem silencia faz as coisas melhor e ganha mais tempo. Quem silencia pensa melhor e evita atos impulsivos. Como é difícil não ser impulsivo num mundo que nos cobra respostas imediatas para problemas complexos. Essa é minha realidade de assistente social. Muitos me cobram este milagre diário, mas algumas respostas, só encontrei silenciando e esperando, pois para muitos problemas a solução é o tempo, pois ele capacita. Por ora é isso. Agora quero começar minha caminhada neste deserto. Já estou dando os primeiros passos dessa jornada com Jesus, e o único som que escuto é dos meus passos. Mas bastou começar a caminhada para perceber que o som dos passos aumentou, pois Jesus se colocou a caminhar comigo.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

HOMENS DA TECNOLOGIA

Discutir as transformações sociais geradas pelo mundo virtual é um dos assuntos mais instigantes da atualidade. A evolução da internet passou por vários momentos ao longo das últimas décadas. Primeiramente, foi utilizada para a inteligência na guerra, depois como ferramenta possibilitadora e impulsionadora do mercado global, e nos últimos tempos tem se destacado pela utilização das redes sociais.

São vários os pontos de vista das discussões sobre o efeito das redes sociais em nosso cotidiano, mas queria dar ênfase à discussão da alteração causada na nossa comunicação e relação.

As redes sociais são um sucesso porque estão ligadas diretamente à uma necessidade vital do ser humano: a de comunicar-se. Não nascemos neste mundo para sermos sozinhos. Temos a necessidade vital de interagir e o surgimento das tecnologias virtuais, possibilitou novas formas de comunicação e interação, mas um fenômeno estranho começou a acontecer em paralelo. As ferramentas tecnológicas, criadas para serem ferramentas adicionais, com o objetivo de diminuir distâncias, parecem cada vez mais se tornar a nova e exclusiva forma de comunicação.

A solidão é uma das maiores preocupações neste mundo que nunca foi tão povoado. Moramos em grandes cidades, onde nos esbarramos e pouco convivemos, e estamos levando essa nossa dificuldade para a internet, só que agora ela tem o poder de alastrar este sentimento pelo mundo todo. Os danos sociais ainda precisam ser discutidos seriamente, mas é difícil acompanhar a velocidade das mudanças. Alguns autores já começaram este processo relatando como nossas relações são voláteis, transitórias, temporárias, geralmente para atender à alguma necessidade do capital, nas fusões, nas coligações, nas joint ventures. E em oposição à esta forma que estamos estabelecendo de viver, onde não queremos determinar formas, ou assumimos formas temporárias, se encontram nossos instintos, cuja base é sólida. Que contradição!.

Essa nova forma de nos relacionarmos invadiu nossa vida sem aviso prévio, assim como um hacker que invade o sistema. E nesse novo mundo de fluídos e velocidades aceleradas, estamos diminuindo o acesso à nós mesmos. E este comportamento de se expande de forma sutil e quase imperceptível, abalando nossas relações, pois estamos transferindo para o mundo virtual um pedaço muito grande de nós mesmos. E essa nova ideologia, não foi implantada por um ditador, por uma reforma política, por uma empresa, mas foi feita também com a nossa participação, pois a internet é uma plataforma de serviços descentralizada que possibilita a sociedade civil, utilizá-la de várias formas e maneiras.

O que criamos para nos aproximar está nos afastando. Muitas vezes nos refugiamos na internet para evitar o confronto das situações que o contato interpessoal exige. Já estamos mediando conflitos online porque obviamente, nos desgastamos menos, não precisamos argumentar tanto, nem nos confrontarmos com as pessoas. Não precisamos olhar “olho no olho” ao dizer. Portanto, fica mais fácil abrirmos margem para várias interpretações em nossas repostas por e-mails. É como se a internet servisse como um escudo protetor, um campo energético que mantém uma certa distância, que aparentemente parece ser saudável, não nociva, que nos afasta da rejeição. Mas na verdade, estamos criando um grave problema social. Estamos muitas vezes, projetando nestas ferramentas um mecanismo de defesa, e o resultado de tudo isso, é um mundo que possui cada vez mais pessoas intolerantes, que tem dificuldades de trabalhar o fracasso. E mais do que nunca, estamos aumentando as diferenças de gênero. E assim, o reflexo nas nossas relações se torna sério, pois passamos a pedir desculpas, discutir a relação, a dialogar e tomar decisões importantes pelas mídias eletrônicas, mesmo quando o outro está apenas à alguns míseros quilômetros de distância.

Sobre a questão de gênero

A emancipação feminina nos possibilitou um gerenciamento da gravidez, com os métodos contraceptivos, o que também melhorou a participação da mulher no mercado de trabalho. Mas ainda estamos longe de alcançar nossa emancipação emocional.

Vejo que o homem também tirou grande vantagem com a emancipação feminina, criando novos arranjos sociais. Hoje os homens pensam em se casar mais tarde, aos 40 anos. Tenho conversado com muitos e percebo esta tendência. Mas a mulher, nesta mesma idade, se encontra no limite para engravidar e geralmente começa a ter gravidez de risco. Então, como fica esta lacuna que criamos no tempo? O que acontece com esta nova reconfiguração de gerações?. E assim o amor vai servindo aos caprichos pessoais, em especial masculinos. Afinal, eu (homem) posso até te amar, mas se tivesse te conhecido mais velho poderia até casar. Por acaso alguém já ouviu isso? Eu já.

E assim, amar se torna fator secundário, pois para vivê-lo é preciso realizar muitas outras prioridades como estar economicamente estável, ter uma carreira. Não estamos fazendo com que o amor caminhe junto às situações, dificuldades, de nossa vida. Queremos programa-lo. E por isso mesmo, quando a primeira dificuldade vem, muitos casais se separam, mesmo estando economicamente estáveis.

Outra questão muito importante: Como fica a sexualidade se todos querem casar bem mais tarde? Como trabalhar esta questão de forma saudável?. Os homens podem até querer casar mais tarde, mas certamente não ficarão sem fazer sexo, e vão evitar relacionamentos sérios até lá. E então como ficam as mulheres? Hoje para uma mulher conseguir um relacionamento sério aos vinte e poucos anos, e arrisco dizer até com 30 anos, já está começando a ficar bem difícil. A situação se agrava seriamente nesta escala, se a mulher for bem instruída e com bom emprego e assim, a mulher tem muito mais dificuldades em exercer sua sexualidade, de forma saudável na sociedade de hoje. Do ponto de vista feminino, a mulher tende a exercer sua sexualidade de forma mais responsável, afinal é ela que pode engravidar. Para os homens ficou mais fácil garantir uma variedade até que se decida quem será a eleita. E se isso é possível, por que ele iria se antecipar?. Já a mulher sofre o oposto, ela precisa se preservar, refrear sua sexualidade por muito mais tempo. E ainda se não bastasse, essa mudança tem um aval social, pois um homem pode ser um grande “mulherengo” e de repente, perto dos 40 anos, “encontrar o grande amor da sua vida”. Agora o contrário não se aplica a mulher.

Na realidade vivemos em uma sociedade de poligamia, que ainda disfarça ideologicamente ser uma sociedade que preserva a monogamia.

Penso que diante desta fragilidade social a qual a mulher se encontra exposta, nós irremediavelmente, vamos precisar aprender a ter outros focos na vida, que não seja somente a maternidade, que ainda é muito reforçada pela nossa educação. Por que isso? Acho que serve mais para não ficarmos loucas, pois a sociedade está nos tirando o espaço para exercer de forma saudável nossa maternidade, não somente a sexualidade. O problema vem muito antes das leis que asseguram a licença-maternidade.

Outro dia entrei em uma loja que faz impressões de cartões e vi um convite muito curioso para o aniversário de um menino de 01 ano, que dizia: cuidado meninas, ele já fez 01 ano. É claro que muitas vezes fazemos isso num tom de brincadeira, como em muitos filmes onde o pai tem 02 filhos um menino e outra menina, ele na brincadeira diz que o filho pode começar a sair daqui há uns 10 anos e a filha depois de 20 anos, mas tudo isso reforça as diferenças entre os sexos.

Todo esse drama vivido gera problemas sociais e emocionais sérios. Tenho pensando nas diferenças entre homem e mulher. Encontrei várias delas expressas em verbos. Os verbos femininos parecem ser muito mais passivos, pois nós mulheres: ESPERAMOS a ligação, ESPERAMOS a criança nascer, ESPERAMOS o pedido de casamento, AGUARDAMOS nossos maridos chegarem em casa, AGUARDAMOS nossos maridos, ou filhos voltarem da guerra. Até em nossa sexualidade, somos aquelas de RECEBEMOS o espermatozóide. Verbos estes que não geram ação, que nos deixam imóveis, sem movimento. E estas amarras são invisíveis. Não é à toa que as mulheres são mais resistentes à dor, pois ser mulher é conviver com a dor.

Já os verbos masculinos são repletos de ação, são verbos ativos, pois são eles que FAZEM a ligação, DECIDEM quando fazer o pedido de casamento, COMBATEM na guerra e INTRODUZEM o espermatozóide.

O mercado hoje cheio de concorrências e licitações é parecido com o nosso mundo de relacionamentos. Se você não for bom na negociação, você vai perder, pois há concorrentes, existem várias opções. E qualquer deslize você perderá sem chance de apelação!. E nesse mercado, na maioria das vezes, os homens são os clientes e nós mulheres somos as fornecedores, que sofrem com a concorrência. Vocês já pararam pra analisar que os homens conseguiram lançar no mercado uma nova forma para se relacionar? Eles conseguiram criar uma etapa antes do namoro. É preciso ficar por um tempo antes de se assumir um namoro, ou é preciso morar junto antes de se assumir um casamento. Ora o que é o namoro, senão uma experiência de se conhecer o outro? Mas namorar soa demais um compromisso, o que os homens evitam, temem por se sentirem presos (pelo menos é o que diz a maioria). No fundo, trata-se de uma tentativa de legalizar o sexo sem compromisso, sem tanta culpa.

Bom, depois de toda essa confusão, quero apimentar um pouco mais a situação. Tenho lido alguns livros de vários autores com formações bem distintas. Mas quero fazer uma crítica. Espero que seja construtiva. Alguns relatam que quando as mulheres se deparam com as situações que descrevi acima, o que ela tem que fazer é se “valorizar e partir pra outra”, pois no fundo “ele não te merecia”. Mas é só isso? E como fica o sofrimento deixado? Concordo plenamente que não podemos permanecer em uma relação que não é saudável e que o necessário a ser feito é mesmo partir pra outra pra nos protegermos. Mas parece que na sociedade de hoje não restam opções para a mulher à não ser viver partindo pra outra!. Alguns dizem que muitas vezes o homem se arrepende e volta atrás. Acredito que seja verdade, pelas minhas experiências e de minhas amigas, mas é preciso pensar uma nova etapa: estes homens voltam, mas muitas vezes em situações que não queremos mais de volta. Alguns se arrependem depois de terem te comparado à várias outras mulheres, ou depois de ter dado foco na carreira e alguns (pasmem) querem voltar com você mas querem permanecer no outro relacionamento. São esses homens que queremos de volta?.

Se não bastasse, muitos podem ainda questionar que provavelmente você mulher não esteja fazendo a escolha certa. Acredito em parte que possa ser verdade, mas hoje em dia eu acredito muito mais na falta de opções saudáveis e assim muitas mulheres inteligentes que conheço, vivem reprimindo sua sexualidade em busca de um parceiro ideal e ainda precisam no meio desse processo, se proteger dos HOMENS DA TECNOLOGIA. Quem são esses homens?.

Hoje em dia você pode “levar um fora” por várias vias tecnológicas ou até mesmo receber um convite para sair pelo facebook. E se ele o fizer, é claro que será feito no chat, evitando a publicação (leia-se a sua própria exposição). Ou quem sabe um SMS?

Esta semana tive acesso a duas notícias muito intrigantes. Uma pesquisa feita na Grã-Bretanha relata que em 30% dos divórcios a palavra facebook foi citada. A outra notícia se refere à utilização do facebook no Brasil. Nós já somos o 4º. país com mais usuários ( mais de 35 milhões), atrás somente dos Estados Unidos, Índia e Indonésia. Fico imaginando os impactos que isto pode estar acarretando nas relações, principalmente, porque ainda considero nosso país muito machista.

Com estes dados todos, eu comecei a imaginar algumas situações. Muitas vezes nós mulheres recebemos um convite para sair e aceitamos quando estamos interessadas. Mas muitas vezes, somos colocadas num jogo de xadrez no qual o homem é o jogador. Ele sai com você e com outras e fica escolhendo até decidir entre uma ou outra, e na maioria das vezes, e sem o seu conhecimento, você foi posta numa competição. Alguma mulher é ingênua para não acreditar nisso?!.

O que gostaria de chamar a atenção, é que muitas redes sociais não tem somente gerado divórcios por causa da descoberta de infidelidades, ou por causa de crises de ciúmes de um dos parceiros. As redes sociais também tem ajudado muito, em especial, aos homens a gerenciarem as mulheres que eles ficam “cozinhando”, com respostas evasivas como : eu não estou sumido, só trabalhando muito. São as mulheres que servem para uma espécie de garantia no futuro enquanto não aparece uma melhor, pois os homens preferem aguardar e observar as várias opções do mercado. As ferramentas eletrônicas são uma solução que ajudam muito a manter a vigilância à uma distância segura, sem envolvimento, sem riscos. Estar conectado não garante a geração de vínculos.

Tem muita gente alimentando esperanças de outras via mídias eletrônicas. E isto é sério. Nós não conseguimos controlar quem gosta ou não da gente, mas somos responsáveis por aquilo que cativamos nos outros. E assim, vamos vivendo num jogo de xadrez cheio de substitutos.

E o que falar então sobre esta mania de se manter amizade com ex? Parece que ninguém sente nada, que tudo foi resolvido pacificamente, sem mágoas. E as redes sociais aparecem como território neutro, onde um ex fica vigiando a vida do outro. Afinal parece ser deselegante excluir alguém do facebook.!!! Mas a que custo emocional muitas vezes mantemos o outro conectado conosco?. A maioria que converso, o custo está sendo alto. Não quero aqui afirmar que não podemos ser amigos de ex-namorados, mas eu acho bem difícil isso ser saudável. Eu não iria gostar de ter um namorado que mantém contato constante com ex-namoradas. Aliás, vários estudos comprovam que um dos fatores mais comuns da traição é quando tudo começa com uma simples amizade e depois quando as pessoas perceberam, estavam envolvidas num relacionamento. Portanto, se o seu parceiro ou parceira não for seu melhor amigo é melhor mesmo prestar atenção, porque tem muita gente que adora uma amizade colorida!.

Infelizmente conheço alguns homens que defendem os direitos das mulheres nas políticas públicas, que apóiam a ascensão na carreira feminina, mas não vivem essa igualdade que defendem na intimidade de seus relacionamentos. Conheço também, vários casais que tem um relacionamento sério, mas quando você pesquisa no facebook o status não é mencionado ou não é o mesmo entre eles.

Muitos homens à esta altura devem estar se questionando: Mas as mulheres fazem o mesmo!!. Aqui preciso concordar com isso. Mas sinto que isso é uma conseqüência e que as opções das mulheres estão se fechando tanto que não existem quase mais opções. Falo isso não como justificativa, acredito que esta seja a realidade. O chão das mulheres foi tirado, ou será que já foi dado algum dia? Talvez nas antigas e remotas sociedades onde o matriarcado dominava. Talvez seja esse um grande problema: querer dominar!.

O desgaste emocional feminino sem dúvida é muito maior. Mas os homens ainda não conseguem perceber que também se desgastam, pois não existe relacionamento sem envolvimento. Achar que ficar saindo com as mulheres sem que a emoção seja afetada, é ilusão.

Numa reportagem muito interessante no fantástico do dia 01/01/2012 sobre os índios canelas, uma etnia do grupo timbira, o antropólogo Bill Brocker percebeu uma mudança na sexualidade. A tribo que vivia numa cultura de poligamia está se tornando monogâmica. O antropólogo avaliou que o controle destas relações eram feitas pelas lideranças da tribo, especialistas em administrar conflitos. Porém apesar das leis da tribo controlarem estas situações, não se podia controlar o sentimento do ciúme existente, inerente ao ser humano. E os índios (me refiro aos homens da tribo) influenciados também pelo homem branco, começaram a aumentar a sua percepção em relação ao sentimento de culpa que os acompanhava ao largar a mulher.

Vejo o amor sucumbindo à vaidade, ao egoísmo, ao medo, à estabilidade financeira (ao capital). Assim o amor vai sendo deixado de lado, em segundo plano nas prioridades. Mas o amor não é um sentimento espontâneo? Como podemos programar?. Não consigo mais simplesmente aceitar argumentos: “não era pra ser”, “se tivéssemos ido mais devagar”, “se não tivéssemos feito tal coisa”, se tivéssemos um pouco mais de dinheiro”, “não era o momento certo”. Todas frases prontas conjugadas no passado como se não tivéssemos mais possibilidade de modificar o rumo das coisas no presente. E assim condenamos o relacionamento, antes mesmo de tentar que ele seja, que ele aconteça. Na verdade muitas vezes o dinheiro não é o problema, mas sim as prioridades que ele permite que cada um dos parceiros faça.

Esse amor vai exigir diálogo, capacidade de compreender diferenças e persistência diante das dificuldades, e acima de tudo, sinceridade no que se sente, pois não se esqueça que diante de você tem outro ser humano. Mas estamos tentando buscar nesta vasta gama de variedades, alguém que nos entenda e que não haja muito esforço da nossa parte em mudar muitas vezes aquilo que precisamos mudar, e principalmente, queremos alguém que aceite todos os nossos defeitos e caprichos de forma passiva, sem questionamento.

As diferenças entre homens e mulheres em relação ao que pensam sobre a instituição do casamento, parecem estar inalteradas. Penso que para os homens, de uma maneira geral, o casamento “é uma conseqüência da vida”, “chega uma hora em que ele precisa optar por isso”. Enquanto que para as mulheres, o casamento é o meio para se conquistar a felicidade. De uma maneira geral (não exclusiva), a educação se propaga desta forma, mesmo diante de um mundo totalmente diferente. E observando estas diferenças na educação, fica mais fácil entender a contradição que as mulheres vivem.

Diante do problema exposto fico pensando: mas como mudar? Que tal começarmos com alguns verbos: COMPARTILHAR, CONVIVER, CEDER (um pouco para cada lado), EQUILIBRAR, ZELAR, CUIDAR, VIVENCIAR, RELACIONAR, APROXIMAR, todos verbos que pedem a presença de no mínimo duas pessoas.

É preciso também entender um simples conceito: é claro que existem diferenças biológicas entre homens e mulheres, mas elas precisam deixar de ser vistas como diferenças, pois são particularidades.