terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Conto do Salão de Portas

Era uma vez uma sala cheia de portas. Todas elas foram abertas pelo dono do salão que pediu, à cada uma, que criasse sua própria realidade. Suas criações eram apresentadas aos moradores da cidade em uma exposição mensal especial, que atraia multidões inclusive da região.
Ocorre que uma das portas inventou como criação, a emissão de luz e em pouco tempo, se tornou a grande atração do salão. Seu brilho começou a emanar de forma tão intensa, que as outras portas começaram a se incomodar com sua luz. Então, o salão passou a ser tomado por uma atmosfera de desconfiança, ciúmes, intrigas e inveja. Esses sentimentos cresceram tanto, que as portas resolveram se opor, e uma reunião foi agendada com o dono do salão, com o objetivo de fechar a porta de luz. Temendo o sentimento que se instaurou no salão, o dono fechou a porta.
Dias, meses se sucederam e as visitas ao salão, aumentavam cada vez mais, porque agora os visitantes, desejavam descobrir a origem do brilho que saia detrás da fechadura da porta de luz.
As portas ainda mais revoltadas, sentiram que suas preces foram atendidas, já que, sem solicitarem, o dono do salão agendou nova reunião. E para a surpresa geral, ele agradeceu a idéia magnífica de fechar a porta, pois o faturamento do salão havia dobrado.
A porta de luz sorriu.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

MARATONA DE ATLANTA (27 de outubro de 2013)

Chegou o dia esperado há um ano. Pela primeira vez, estava na largada para correr uma maratona. A cidade escolhida foi Atlanta nos Estados Unidos. O motivo? Há 1 ano e meio minha irmã está morando lá. Então, além de visitá-la, planejei a realização desse grande sonho.

A cidade de Atlanta fica no Estado da Georgia. É uma das cidades mais promissoras dos Estados Unidos. Possui o Aeroporto mais movimentado do mundo, e é um centro de interligação de todo o país, com suas linhas ferroviárias e hub principal da empresa Delta. Entre as grandes atrações possui o maior aquário indoor do mundo, e foi sede dos Jogos Olímpicos Centenários de Atlanta em 1996. A cidade possui 420 mil habitantes, sendo a 9ª. Maior do país, a temperatura é quente no verão e os invernos são mais amenos, sendo incomum a ocorrência de neve. A última precipitação ocorreu há 4 anos. A cidade foi totalmente destruída pela Guerra Civil em 1864 e reconstruída anos depois, e aqui, nasceu um dos maiores líderes da história : Martin Luther King  Jr.
Já que o texto tem sua parte histórica, porque não falar um pouco sobre a maratona?. A modalidade se diferencia dos demais esportes, pois tem sua origem baseada em uma lenda, que conta que no ano de 490 A.C, o soldado grego Feidípedes, foi enviado por seu general à cidade de Atenas, para informar a vitória na planície de Marathónas contra os persas. À fim de evitar que as mulheres e crianças executassem um plano de suicídio coletivo, já que os persas prometeram atacar e matar todos da cidade, o soldado ao percorrer a distância de aproximados 40km, ao chegar conseguiu apenas dizer “vencemos” e faleceu em decorrência do esforço. Então, desde os primeiros Jogos Olímpicos a modalidade foi criada, sendo oficializada nos seus 42,195km, nas Olimpíadas de Londres em 1908.
E as mulheres?
Somente 80 anos depois, pois acreditavam que as mulheres não eram capazes de correr uma maratona, o primeiro campeonato oficial ocorreu em Atenas em 1982, tendo como vencedora, a lendária corredora portuguesa Rosa Mota, conhecida no Brasil por ter vencido 6 vezes consecutivas a São Silvestre. A primeira Olimpíada a ter a versão feminina foi a de Los Angeles, em 1984, tendo a norte-americana Joan Benoit como vencedora da prova.

E minha experiência particular?
Estar aqui nesta cidade, cercada pela história do centenário Olímpico foi uma motivação extra para a realização deste sonho. Os dias que antecederam a prova, foram tomados por uma certa inquietação, mas assim que o grande dia chegou e dei meus primeiros passos na largada, apenas vinha o pensamento de seguir adiante, um passo de cada vez, e aproveitar ao máximo o momento e fazer o que gosto: correr.

O dia ainda estava escuro, mesmo as 7 horas da manhã. Passamos pelo centro da cidade e pelo local onde foi acesa a tocha das Olimpíadas de 1996, momento de muita emoção. A altimetria da prova é desafiadora, em especial nos ultimos 20km, momento de se quebrar a famosa barreira dos 30km. Por isso, foi preciso pensar em adotar estratégias. Escolhi aumentar o ritmo nos primeiros 21kms e depois, diminui para enfrentar as subidas e curvas que me esperavam.
A estrutura da prova, apesar de ter poucos corredores maratonista finishers: 981 sendo destes 367 mulheres, foi excelente. Postos de hidratação a cada 1 ½ milha com banheiros, lixos e um total de 1800 voluntários, nos animando em todo o trajeto da prova. A água era servida já no copo e na quantidade indicada para se tomar a cada 2km. Não precisei abrir garrafas ou copos. Além da água, a prova disponibilizou postos de hidratação com isotônicos e carboidratos. Outra informação interessante foram os pace teams, equipes que correm juntas, mantendo um ritmo médio à sua escolha, desde teams abaixo de 4 horas até 5 e 6 horas.

Que lições que aprendi?
Limites existem, mas muitos somos nós que criamos.
Quando se está diante de situações limite, aprendi preciosas lições:

- o limite impõe respeito e atenção

- planejamento: não se rompe limites sem estratégia e planejamento.

- ser gentil consigo mesmo durante todo o processo: há dias em que nos sentimos bem, outros não. Por isso é preciso se respeitar, nos treinamentos e no dia da prova.

- paciência : para lidar com os obstáculos: previsíveis e imprevisíveis

- disciplina: é o que te faz levantar cedo para cumprir o programado.

- coragem : acreditar na sua capacidade de se reinventar, de se superar.

- sonhar : é o sonho que te faz visualizar a linha de chegada. É ele que te faz viver antecipadamente a vitória.

- liberdade: é o sentimento experimentado por alguém que já foi capaz um dia  de correr uma maratona.

- realizar : sonhos são visualizações de futuras realizações. É preciso aprender a curtir o momento. Tem gente que termina a maratona pensando em outras coisas e esquece de aproveitar ao máximo a realização do agora.

- Comemorar : a realização só tem graça quando pode ser comemorada e compartilhada com as pessoas, como faço aqui com todos vocês que estão lendo. Não tem graça fazer algo e não ter para quem contar a história.

Maior lição?
Entre as várias que vocês leram, se tiveram a paciência de chegar até aqui, tem uma lição especial:  Pessoas simples, podem fazer coisas incríveis. O que você está esperando? Seja o próximo!.

domingo, 15 de setembro de 2013

PARTILHA

O que nos faz sentir sozinhos?
Não ter ninguém ao lado?
E quando nos sentimos sós no meio de multidões, ou com pessoas próximas com quem convivemos? Por que esta insatisfação?
E aquelas pessoas que se sentem muito bem mesmo quando aparentemente estão sós? Por que isso parece ser um desaforo ou algo improvável?

Andei pensando em uma ditado popular, que diz que todos nós nascemos e morremos sozinhos. Esta idéia nos é apresentada como os momentos de solidão mais críticos de nossa caminhada. Eu quero discutir nesta breve reflexão, as ausências e solidões do meio do caminho, pois é neste meio, que construímos nossas histórias, onde passamos praticamente, toda nossa existência.
Esse meio do caminho, ganha uma invisibilidade, mas é nele que a coisa acontece.

Pra mim a resposta ao combate à solidão é a partilha.
É mais fácil neste caminho, que com certeza, não foi feito para ser solidão, aprendermos a caminhar com aqueles que nos fazem sentir bem, sem entender muito bem as razões. Aceitar os defeitos e até rir deles, e saber que cada um está na sua estrada. Diminuir as críticas, aumentar a solidariedade. As pessoas quando convivem muito, tem esse estranho movimento em aumentar a tensão, e depois desejam ser sós, mesmo quando se ama. Talvez por isso muitos amores cresçam na ausência, e desapareçam na convivência. Mas do que vale isso? Viver sem conseguir ter satisfação? Ou viver com medo de que essa satisfação aconteça? Muitos de nós sofremos desta dualidade esquisita. Talvez porque buscamos a compreensão total dos outros e esquecemos o valor da partilha.
O que temos para partilhar hoje?

domingo, 4 de agosto de 2013

MAIS UM SONHO REALIZADO

Hoje mais um sonho foi realizado. Consegui correr minha primeira meia maratona! 11ª. Edição da Meia Maratona de São Bernarndo do Campo. Prova técnica com muitas subidas. Todo sonho é sonho, e realizar é uma alegria que não cabe no peito. Mas às vezes, a gente dá sorte e junto com o sonho, vem outras coisas. Foi o que aconteceu. Recebi apoio inesperado de muita gente. Fazer parte da equipe S.F. tornou a comemoração muito mais especial. Recebi muito apoio antes da corrida. Desde o momento da minha inscrição, ajuda para retirar kit e a alegria no rosto de cada um que vinha falar comigo e me incentivar e dar dicas para completar a prova bem. Cada um deu a sua contribuição e é assim que deve ser. É assim que nos sentimos bem. As meninas da equipe me ajudaram demais: E.V. me deu uma super dica: Corra 3 provas de 7km. Foi o que pensei o tempo todo. Ela e sua irmã E. estavam presentes na chegada e fizeram questão de registrar esse momento especial. Elas bem que me avisaram que estariam presentes para me dar força. À vcs duas, minha eterna gratidão, pois sei que vcs fizeram questão de me aguardar na chegada!. L. me deu várias dicas e por causa dela, guardei energia para a subida final. I. E J. : agradeço demais a amizade e o olhar de certeza de vcs, o que me deu confiança!. A.obrigada por me entregar a bandeira da equipe para a chegada. Enfim muita gente contribuiu com palavras de incentivo. Mas quero dedicar em especial, às MULHERES DA EQUIPE S.F. essa vitória, na expectativa que um dia possamos estar mais próximas do que acontece nos Estados Unidos, onde mais de 60% das pessoas que correm meia- maratonas são mulheres. No Brasil somos uma média de 30% nas provas. Hoje contribui para que este número esteja mais próximo do equilíbrio. Isso que importa. Tem muita gente que quero agradecer! Mas preciso dedicar algumas palavras especiais para: - meu preparador físico M. : obrigada pela amizade, pela confiança e pelo seu trabalho altamente qualificado. Eu consegui!!!!!. - Minha nutricionista esportiva C.sua dieta para essa prova fez toda a diferença. Terminei com energia!. Junto com ela tem outra pessoa muito importante: minha nutricionista esportiva: minha irmã... TE AMO! Só isso que consigo dizer. - meus PAIS, que sempre adoram ouvir minhas histórias de corrida e sempre que podem comparecem nas chegadas para dar apoio para a filha. Nesse momento estão em Portugal realizando outro sonho deles. Essa vitória é de vocês também. - Minhas amigas: M., F., P. e B., que me apóiam demais. É bom poder partilhar mais esse momento com vcs todas! - minha FAMÍLIA: que curte demais esse meu hobby. Precisamos marcar um churrasco pra comemorar. Enfim.......EQUIPE S.F.!!!! Vcs tornaram esse dia muito mais especial pra mim!. Minha eterna gratidão fica registrada nesse singelo texto!. SONHOS SERVEM PARA UMA COISA: PARA SEREM PERSEGUIDOS E REALIZADOS! SÃO ELES QUE DÃO SENTIDO À NOSSA VIDA!

segunda-feira, 29 de julho de 2013

SILÊNCIOS

Existem palavras que só podem ser ditas e expressas
em sua plenitude no silêncio


Silêncios que dizem as verdades do coração.
Os arrependimentos
As tristezas
A demora da ausência sentida
O perdão
A lágrima
O silêncio entre as pausas
Que despertam nossa atenção
Silêncios de omissão

Silêncios das:
Vitórias
Alegria intensa
Satisfação
Reflexão e concentração
Da oração


Os olhos silenciosos de uma vida vivida
E o que dizer da força de um eu te amo silencioso?

Silêncios
Que expressam no mais alto padrão os dilemas, os paradoxos da vida
Que acalmam ou que desesperam
Que força misteriosa há em sua pluralidade de essências
Que alcançam os recantos da alma.

terça-feira, 18 de junho de 2013

LAÇOS FRATERNOS

É preciso afastar da vida tudo aquilo que nos faz mal: sejam canais de TV, comidas, velhos hábitos que não são bons, vícios e pessoas. Mas nessa escolha tome cuidado ao decidir afastar alguém. Saiba diferenciar se apenas foi um mal momento, ou se foi um momento em que lhe revelou algo oculto importante que mereça a reflexão suficiente para o afastamento. Pessoas não são canais de TV, comidas, velhos hábitos, vícios, produtos de consumo. Pessoas são a nossa necessidade vital e nosso sentido de vida.

Seja tolerante sem se perder

seja amável e gentil sempre que possível.

Ensine os outros à respeitar seus limites, ninguém é obrigado a saber,

mas deixe que os outros lhe ajudem a superar limites que não valem a pena serem mantidos por teimosia, ou por falta de uma tentativa honesta de mudança.

Celebre os momentos bons, mas não viva uma vida de apenas bons momentos.

Dê consistência, crie laços fortes e duradouros para celebrar mais momentos bons com aqueles que lhes são tão importantes.

E se algum laço se desfizer, que não seja você o causador, a não ser que seja necessário, pois nesse emaranhado da vida, as vezes desfazemos laços importantes e mantemos laços desnecessários.

Nessa vida contraditória e cheia de surpresas inexplicáveis pelo caminho, esse discernimento esta mais ao alcance daqueles que aprendem a silenciar o coração e aprendem a ser gentis consigo mesmos.

Com a prática do tempo, aprendemos a discernir mais rapidamente e sem tanto esforço. Tão importante quanto a aprender a viver com as coisas boas,

é aprender a viver com as coisas ruins, mas apenas aquelas que não podemos mudar.

E enfim, aprender a conviver, com um pouco mais de paz interior, as nossas escolhas.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

PRÍNCIPE ENCANTADO

Um dia me perguntaram se eu acreditava em príncipe encantado.

Ultimamente mais importante do que lidar com a triste realidade da escassez de príncipes encantados (e digo com tristeza, porque acredito na beleza do encanto de forma real e possível), tem sido lidar com a realidade dos resquícios de bela adormecida.

Vejo que existe uma pluralidade imensa de belas adormecidas:

Algumas abrem os olhos mas se sentem imobilizadas de ação.

Outras arriscam algumas descobertas mas não aguentam a dura realidade e voltam à adormecer.

Há aquelas que só querem adormecer e não acreditam ter problema algum nisso.

Outras esperam seu príncipe de olhos bem abertos, e se chocam ao descobrir que ele só queria uma bela adormecida.

Outras ficam tristes com o que encontram por estarem de olhos abertos, mas já não querem mais adormecer.

Outras ao abrir os olhos, adoram o que encontram.


Abrir os olhos, despertar, lidar com o que se vê, ou ficar adormecida?

Quantas opções? Ou será que todas essas são ainda muito limitadoras? Acho que a maioria sim.

Talvez o principal momento está ao abrir os olhos, quando a bela adormecida, vê seu primeiro reflexo através dos olhos de seu príncipe.

Quem sabe ousamos mudar a estória encantada? Pode ser que a bela adormecida encontre o espelho mágico e passe a se ver com seus próprios olhos.



terça-feira, 16 de abril de 2013

IGUALDADE ARTIFICIAL

Criticas formadas à partir de opiniões homogêneas e discursos carentes de significações, que nos fazem cair na tentação das respostas padronizadas com efeito alienante das nossas próprias carências e limitações.


Essa alienação desejada coletivamente, que muitas vezes pode ser usada como justificativa segura para apoiar decisões, acaba por nos colocar em nosso próprio cárcere privado.

Críticas superficiais e padronizadas, tem reflexo nas ações cotidianas, na vida de muitas pessoas e podem traçar destinos. Ser diferente, ou fazer algo diferente, ou simplesmente o que se deseja, tem sido romantizado como ato heróico, e colocado longe das possibilidades diárias, que podem ocorrer apenas em certas ocasiões.

Normas e condutas, que aos invés de nos ajudar a viver em harmonia e estabelecer a prática da gentileza, parecem mais escritas para limitar nossa imaginação nessa sociedade de comportamento obssessivo pela mesmice, que nos faz embarcar na repetição regulatória em oposição às ações criativas, muitas vezes consideradas: fora da lei ou do mercado de consumo.

São novelas que retratam a sociedade? Aos olhos de quem? Como o telespectador enxerga e propaga estes valores? Repetem o comportamento da mesmice? Da imitação? Qual o alcance de sua critca, quando houver?. Reproduz ou cria? Muda a sociedade ou apenas reforça padrões?. Que padrões são nocivos e quais não são? E aos olhos de quem? E o questionamento continua: por que muita gente parece igual?. Preciso ver com outros olhos? Ou muitos olhos se voltam para a mesma direção?. Tenho visto muitos iguais por aí, não que isso seja ruim, mas apenas me parece artificial.

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

SONHOS PROGRAMADOS

O que é o destino? E que força desconhecida o sonda?
Quais são nossas escolhas?
Escolhas e destino: caminham juntos e se confundem.

Notamos os momentos em que estamos escolhendo ou somente as conseqüências de nossas escolhas? O que costumamos nomear: destino ou escolha? Como chamamos nossas atitudes, que ora são pistas, ora respostas de nossas escolhas?

Será que estamos chamando de destino aquilo que desistimos de tentar? Ou aquilo que nos aflige e não queremos enxergar? Ou ainda o que está fora do nosso alcance realizar no momento?

E o que falar então das escolhas que fazemos? Elas são frutos de uma reflexão ou apenas de um ato impulsivo? E os momentos em que precisamos tomar rápidas decisões que podem mudar muito nossa direção? E o contrário: quando precisamos de ponderação e calma?

Nas triagens sociais que realizo, ainda me assusto quando pergunto para meus pacientes quais são seus sonhos. Muitos acham a pergunta surpreendente. Muitos deles começam a pensar à partir do momento em que eu faço a pergunta. Outros deles, a grande maioria, respondem sonhos comuns. Não tem aparecido muita variedade nisso, o que me assusta ainda mais e o que evidencia a falta de reflexão no assunto.

E então me veio outro questionamento: será que todos temos os mesmos sonhos? Ou são sonhos construídos pela coletividade da sociedade em que estamos inseridos? São sonhos programados? Será que estamos ampliando nossa capacidade para fazer escolhas baseadas em nosso próprio eu, ou ainda muito disso está contaminado pelo que a sociedade espera da gente? Que eu ideológico é esse que se esconde em mim?

Quando somos jovens, temos tantos sonhos e desejos, mas não temos experiências e vivências. É o que vamos adquirindo, acumulando com o passar dos anos. E assim nossos desejos e sonhos vão sendo testados. Quando nos tornamos adultos, queremos viver nossos sonhos, realizá-los. Muitas vezes a experiência acumulada muda nossos projetos, outros descobrimos que eram fantasias, outros não eram assim tão desejados quanto esperávamos. E outros sonhos aparecem. E o que será então na idade avançada? Não posso dizer, ainda não vivi, mas posso sonhar.

Hoje sei que o mundo nos faz mergulhar nas notícias, em fatos e acontecimentos ao redor do planeta. Mas hoje eu também quero mergulhar nesse meu mundo interior e redescobrir novos recantos da minha alma.

Destino, escolhas socialmente construídas e escolhas próprias. Hoje sei melhor o significado de cada uma dessas coisas na minha vida, pois é preciso conhecer estas versões para a construção de um EU autêntico, sólido e real.



quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Divagações feministas : Mulher Ocupando seu espaço social

Com os deslocamentos dos papéis entre os gêneros na sociedade contemporânea, novos formatos de relacionamento estão ocorrendo. Novas reconfigurações e novas possibilidades foram geradas, mas ainda necessitam ser vivenciadas, o que não ocorre de um dia para o outro, pois toda mudança gera um novo movimento, um novo processo, que possui um tempo.

O processo de luta do movimento feminista, onde faz parte romper com as barreiras geradas no âmbito da esfera privada para o alcance da esfera pública, tem um desafio grande na contemporaneidade, onde um dos valores centrais é o individualismo.

Dentro deste cenário, algumas perspectivas foram alcançadas, enquanto outras, ainda se encontram em processo embrionário, como por exemplo, podemos gerenciar a gravidez há muitas décadas, mas ainda não encontramos no mercado brasileiro, igualdade salarial no exercício de mesmos cargos entre homens e mulheres.

Nos tempos atuais quando se fala do movimento feminista, tendemos ao reducionismo ideológico em acreditar de forma exclusivista que a luta é contra a violência doméstica, um dos campos onde houve maior avanço, sem dúvida, mas longe de ser o único em discussão.

Vemos um cenário de políticas públicas para mulheres ampliando sua gama de atuação, buscando coletivizar o interesse de vários grupos, porém é necessário o cuidado para que as necessidades de grupos específicos não se tornem a bandeira exclusivista no movimento feminista, pois todos devem convergir para o fim maior da busca da igualdade para mulheres na sociedade. Igualdade esta, que necessita discutir as particularidades de mulheres e de homens, na busca de aproximação de gênero.