Com os deslocamentos dos papéis entre os gêneros na sociedade contemporânea, novos formatos de relacionamento estão ocorrendo. Novas reconfigurações e novas possibilidades foram geradas, mas ainda necessitam ser vivenciadas, o que não ocorre de um dia para o outro, pois toda mudança gera um novo movimento, um novo processo, que possui um tempo.
O processo de luta do movimento feminista, onde faz parte romper com as barreiras geradas no âmbito da esfera privada para o alcance da esfera pública, tem um desafio grande na contemporaneidade, onde um dos valores centrais é o individualismo.
Dentro deste cenário, algumas perspectivas foram alcançadas, enquanto outras, ainda se encontram em processo embrionário, como por exemplo, podemos gerenciar a gravidez há muitas décadas, mas ainda não encontramos no mercado brasileiro, igualdade salarial no exercício de mesmos cargos entre homens e mulheres.
Nos tempos atuais quando se fala do movimento feminista, tendemos ao reducionismo ideológico em acreditar de forma exclusivista que a luta é contra a violência doméstica, um dos campos onde houve maior avanço, sem dúvida, mas longe de ser o único em discussão.
Vemos um cenário de políticas públicas para mulheres ampliando sua gama de atuação, buscando coletivizar o interesse de vários grupos, porém é necessário o cuidado para que as necessidades de grupos específicos não se tornem a bandeira exclusivista no movimento feminista, pois todos devem convergir para o fim maior da busca da igualdade para mulheres na sociedade. Igualdade esta, que necessita discutir as particularidades de mulheres e de homens, na busca de aproximação de gênero.