A cidade de Atlanta fica no
Estado da Georgia. É uma das cidades mais promissoras dos Estados Unidos.
Possui o Aeroporto mais movimentado do mundo, e é um centro de interligação de
todo o país, com suas linhas ferroviárias e hub principal da empresa Delta.
Entre as grandes atrações possui o maior aquário indoor do mundo, e foi sede
dos Jogos Olímpicos Centenários de Atlanta em 1996. A cidade possui 420 mil
habitantes, sendo a 9ª. Maior do país, a temperatura é quente no verão e os invernos
são mais amenos, sendo incomum a ocorrência de neve. A última precipitação
ocorreu há 4 anos. A cidade foi totalmente destruída pela Guerra Civil em 1864
e reconstruída anos depois, e aqui, nasceu um dos maiores líderes da história :
Martin Luther King Jr.
Já que o texto tem sua parte
histórica, porque não falar um pouco sobre a maratona?. A modalidade se
diferencia dos demais esportes, pois tem sua origem baseada em uma lenda, que
conta que no ano de 490 A.C, o soldado grego Feidípedes, foi enviado por seu
general à cidade de Atenas, para informar a vitória na planície de Marathónas
contra os persas. À fim de evitar que as mulheres e crianças executassem um
plano de suicídio coletivo, já que os persas prometeram atacar e matar todos da
cidade, o soldado ao percorrer a distância de aproximados 40km, ao chegar
conseguiu apenas dizer “vencemos” e faleceu em decorrência do esforço. Então,
desde os primeiros Jogos Olímpicos a modalidade foi criada, sendo oficializada
nos seus 42,195km, nas Olimpíadas de Londres em 1908.
E as mulheres? Somente 80 anos depois, pois acreditavam que as mulheres não eram capazes de correr uma maratona, o primeiro campeonato oficial ocorreu em Atenas em 1982, tendo como vencedora, a lendária corredora portuguesa Rosa Mota, conhecida no Brasil por ter vencido 6 vezes consecutivas a São Silvestre. A primeira Olimpíada a ter a versão feminina foi a de Los Angeles, em 1984, tendo a norte-americana Joan Benoit como vencedora da prova.
E minha experiência particular?
Estar aqui nesta cidade, cercada pela história do centenário Olímpico foi
uma motivação extra para a realização deste sonho. Os dias que antecederam a
prova, foram tomados por uma certa inquietação, mas assim que o grande dia
chegou e dei meus primeiros passos na largada, apenas vinha o pensamento de
seguir adiante, um passo de cada vez, e aproveitar ao máximo o momento e fazer
o que gosto: correr.
O dia ainda estava escuro, mesmo as 7 horas da manhã. Passamos pelo centro
da cidade e pelo local onde foi acesa a tocha das Olimpíadas de 1996, momento
de muita emoção. A altimetria da prova é desafiadora, em especial nos ultimos 20km, momento
de se quebrar a famosa barreira dos 30km. Por isso, foi preciso pensar em
adotar estratégias. Escolhi aumentar o ritmo nos primeiros 21kms e depois, diminui
para enfrentar as subidas e curvas que me esperavam.
A estrutura da prova, apesar de ter poucos corredores maratonista finishers:
981 sendo destes 367 mulheres, foi excelente. Postos de hidratação a cada 1 ½ milha
com banheiros, lixos e um total de 1800 voluntários, nos animando em todo o
trajeto da prova. A água era servida já no copo e na quantidade indicada para
se tomar a cada 2km. Não precisei abrir garrafas ou copos. Além da água, a
prova disponibilizou postos de hidratação com isotônicos e carboidratos. Outra
informação interessante foram os pace teams, equipes que correm juntas, mantendo
um ritmo médio à sua escolha, desde teams abaixo de 4 horas até 5 e 6 horas.
Que lições que aprendi?
Limites existem, mas muitos somos nós que criamos. Quando se está diante de situações limite, aprendi preciosas lições:
- o limite impõe respeito e atenção
- planejamento: não se rompe limites sem estratégia e planejamento.
- ser gentil consigo mesmo durante todo o processo: há dias em que nos
sentimos bem, outros não. Por isso é preciso se respeitar, nos treinamentos e
no dia da prova.
- paciência : para lidar com os obstáculos: previsíveis e imprevisíveis
- disciplina: é o que te faz levantar cedo para cumprir o programado.
- coragem : acreditar na sua capacidade de se reinventar, de se superar.
- sonhar : é o sonho que te faz visualizar a linha de chegada. É ele que te
faz viver antecipadamente a vitória.
- liberdade: é o sentimento experimentado por alguém que já foi capaz um
dia de correr uma maratona.
- realizar : sonhos são visualizações de futuras realizações. É preciso
aprender a curtir o momento. Tem gente que termina a maratona pensando em
outras coisas e esquece de aproveitar ao máximo a realização do agora.
- Comemorar : a realização só tem graça quando pode ser comemorada e
compartilhada com as pessoas, como faço aqui com todos vocês que estão lendo. Não
tem graça fazer algo e não ter para quem contar a história.
Maior lição?
Entre as várias que vocês leram, se
tiveram a paciência de chegar até aqui, tem uma lição especial: Pessoas simples, podem fazer coisas incríveis.
O que você está esperando? Seja o próximo!.