terça-feira, 13 de dezembro de 2011

O CASAMENTO DA MINHA MELHOR AMIGA - Celebrando o amor

Neste mês, no dia 11 do 12 de 2011 às 12hs, um evento muito importante aconteceu em nossa família. Foi o casamento da minha irmã. Como o destino tem seus caprichos, não só com a data e hora, escolheu o dia em que a Igreja celebra a ALEGRIA, uma das principais características da minha irmã.
O casamento foi contagiado por essa energia. A celebração desse amor, produziu em nossas mentes e em nossos corações, o registro de memórias repletas de bom sentimentos em todos os sentidos:

- no olfato : com o perfume das rosas

- na audição : com as belas canções

- no paladar : a comida estava impecável

- na visão: com a beleza do vestido da noiva

- tato: presente no abraço carinhoso que recebi de meu cunhado e minha irmã

Momentos como esses devem ser aproveitados para renovarmos nossos votos de esperança, principalmente, em tempos de pouco amor, de pouca preservação humana observada, por exemplo, na natureza, onde as conseqüências são expressões dos sentimentos que sondam a alma humana, que tem alimentado a autodestruição nas palavras e atitudes.

Estamos chegando ao final do ano. Fiz minhas avaliações. Este ano tive algumas perdas de pessoas queridas, das duas formas possíveis: das pessoas que foram para outra dimensão, e a perda de pessoas que deixaram de caminhar comigo. Mas Deus agiu com sua misericórdia me ajudando a encerrar o ano CELEBRANDO O AMOR. Expresso esse verbo no gerúndio, pois assim quero que permaneça.

Final de ano também é tempo de rever, por isso abri minha caixa de sonhos. Escrevi alguns sonhos com o objetivo de realizá-los no decorrer deste ano. Na caixa haviam 7 pedidos. Dos 7, seis foram realizados ou estão num processo avançado para a sua realização. Fiquei surpresa com o resultado. Foi muito melhor do que esperava, pois sei que cada pedido colocado na caixa, foi regado com as águas da esperança e o cultivo realizado com muito trabalho. Agora é ousar sonhar mais sonhos.

Foi um ano de colheitas muito importantes, como ter ido morar num novo lar, “no meu lar”, que construí com o esforço do meu trabalho. Cada tijolo, revestimento, objetos, eletrodomésticos, representam muito mais valores sentimentais, que não podem ser expressos por uma moeda. Também foi um ano em que plantei muitas sementes, algumas já germinando. Foi um ano de muito aprendizado.

Uma das coisas mais legais que fiz esse ano, foi dar vida ao meu blog. O meu blog foi criado em 2009, e estava inutilizado até julho de 2011. O que mudou essa história? Foi a prática da meditação, que deu o “start” desse despertar para esta vocação há muito não cultivada. Escrevo isso, porque por muitas vezes nos distanciamos de nossas vocações, o que não faz bem pra alma. Por isso sugiro, caso você venha a fazer sua caixa de sonhos para 2012, pense em suas vocações. Encontre meios de realizá-las, nem que seja como fiz, escrever para seus amigos no blog. Quem sabe um dia esta semente germine e alcance novos lugares, novas pessoas?! Para isso apenas é necessário COMEÇAR.

Neste último texto do ano, quero compartilhar algumas VIVÊNCIAS muito importantes, que expresso à seguir:


Se você tem coisas de que se arrepende ter feito : isso se chama MATURIDADE

Mesmo assim não se deixa paralisar pelos próprios erros – isso é CORAGEM de prosseguir

Se você tira lições de suas experiências negativas ou positivas – isso se chama SUPERAÇÃO

Se você acredita nas possibilidades que a vida pode lhe oferecer, mesmo quando não encontra saída, mesmo quando parece não ter forças para suportar – isso é a manifestação da FÉ

Se você é capaz de doar-se e dar o melhor de si : isso é a CARIDADE agindo em sua vida

Se você olha à sua volta e comunga da alegria e do sofrimento alheios – isso se chama FRATERNIDADE

Se você é capaz de acreditar na realização de seus sonhos, mesmo que alguém lhe diga que é difícil ou impossível – é a chama da ESPERANÇA acesa em seu interior

Se você é capaz de ser transparente – parabéns! Você conseguiu a raridade de ser AUTÊNTICO no mundo de hoje

Se você faz o que é certo, mesmo que para os outros possa parecer ingenuidade ou loucura – isso é INTEGRIDADE

Se você faz o que é certo pra você, mesmo correndo o risco de perder a quem se ama : isso é prova de AMOR-PRÓPRIO

Se você deixa de estar em situações que o entristeceram – isso é PRESERVAR-SE

Se você se entrega mesmo quando o receio bate à sua porta – isso é o AMOR VENCENDO O MEDO

Se você aceita seus erros – isso é RECONCILIAR-SE consigo mesmo

Se você é capaz de mostrar sua fragilidade – somente os VALENTES conseguem

Se você sabe agir com inteligência – isso é o nascimento da SABEDORIA

Se você entrega a Deus, seus sofrimentos, deixando-se conduzir por Ele : isso se chama CONFIANÇA E DESPRENDIMENTO

Se você vive sorrindo – isso é festejar a ALEGRIA

Se você sabe perder, e esta trabalhando seus limites – isso é ter ATITUDE DE VENCEDOR

Se você sabe esperar, mas também sabe o tempo de partir. Se você sabe calar, mas também sabe dizer – isso é DISCERNIR

Se você entende as entrelinhas – isso é ter EMPATIA

Se você admite que muitos sentimentos destrutivos fazem parte da sua vida, como a raiva, mas consegue fazer destas experiências algo de bom – isso é ter ATITUDE CONSTRUTIVA

Se você é capaz de pedir desculpas, não para ser educado, mas para demonstrar seu arrependimento de forma a atingir o coração das pessoas – isso é HUMILDADE

Se você entende a importância dos simples gestos – então é capaz de entender a força da SIMPLICIDADE

Se você é capaz de dizer palavras boas quando os outros te agridem ou ofendem – então você entende o valor da COMPAIXÃO

Se você é capaz de trabalhar suas escolhas – isso é LIBERDADE

Se você sente que suas escolhas estão na direção certa – isso é trabalhar a CONSCIÊNCIA

Se você é capaz de reinventar-seentão é capaz de REVOLUCIONAR o mundo

Se você é capaz de ser mais humano – então é capaz de perceber o AMOR presente em palavras silenciosas expressas no silêncio de um olhar

UM SANTO E ABENÇOADO NATAL

E QUE EM 2012 SEUS SONHOS SE REALIZEM

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Simples Gestos - Espaguete à Carborana

            Um dia destes, retornou à minha mente um questionamento antigo, sobre minha escolha profissional, e que enfim, sem esforço ou desgaste, a resposta apareceu naturalmente, no tempo certo. Quando a resposta é verdadeira, ela tem o poder de trazer conforto.
            Me lembro do momento em que estava decidindo minha futura carreira. Por anos tinha decidido por uma profissão. Passei no vestibular, comecei o curso, mas sentia que ainda faltava alguma coisa. Tranquei a matrícula, parei para repensar. Foi quando descobri o Serviço Social, desconhecido pra mim até então. A identificação foi imediata. Fiz o curso e como costumo dizer, sou apaixonada pela minha profissão. Mas por que falar disto agora? Porque somente agora, depois de todos estes anos, descobri o que faltava na minha primeira escolha e o que foi que me atraiu para o Serviço Social.
            A resposta está na força dos simples gestos.    Descobri que a força e beleza da profissão do Assistente Social está no paradoxo, que permite ter embasamento teórico e capacidade de análise das conjunturas, mas que se rende aos simples gestos dos fatos cotidianos da realidade social. Esta é uma profissão que permite a vivência da simplicidade.
Minha atenção tem estado em alerta, voltada para os simples gestos nos últimos dias. Este é um tempo difícil pra mim. Sofro com a ausência de uma pessoa muito especial e de raro coração.
            Tenho pensado muito sobre o processo de caminhar lado a lado. Neste caminho que é lado a lado, cada um tem seu próprio passo. Ao se caminhar ao lado, fica mais fácil ajustar o ritmo das passadas, apesar de cada um dar seus próprios passos. Às vezes um se adianta, ora o outro atrasa, o que é natural e parte integrante do processo. Por isso é necessário caminhar lado a lado de mãos dadas, pois assim, encontramos a cadência dos passos desta caminhada. Ora, o que é caminhar de mãos dadas senão o simples gesto de estender a mão ao outro?
            Simples gestos tem uma força interior que nenhuma teoria pode expressar desmistificar, desvendar, pois eles são sentidos e não explicados. Um abraço tem o poder de curar mais de mil palavras erradas, ditas num momento de nervosismo, ou quando estamos magoados. Um beijo, um olhar, um sorriso. Até mesmo nas palavras se escondem simples gestos, porque mais importante do que se é falado, é como se é pronunciado. Quanta emoção as palavras podem nos passar e nós simplesmente sentimos?. Grandes problemas nossos seriam resolvidos se nos rendêssemos aos simples gestos. Na realidade acredito que são eles que fazem as relações sobreviverem. Não há muitas vezes o que se explicar. Não vale a pena desgastar-se em querer fazer isso. O que vale a pena é sentir.
            Simples gestos tem rodeado meus dias. Tenho a felicidade de ter amigos que neste momento difícil se dispuseram a cuidar de mim, de responder ao meu chamado de ajuda prontamente. Pensei, pensei, por muitos dias. Mas resolvi prestar mais atenção em sentir. Ouvi muitas palavras de apoio de meus amigos, mas nenhuma delas conseguiu me dar o conforto dos simples gestos. Começo pela família. Minha irmã, com a correria do seu consultório, além dos preparativos para seu casamento, garantiu estar no ar 24 horas por dia, mas o que mais gostei foi ter passado uma tarde inteira com ela vendo filme. Ela me ofereceu o que mais difícil ela poderia me dar neste momento, o seu tempo. Sua companhia foi muito melhor do que todas as palavras ditas.
            Logo à seguir a imensa discussão que infelizmente vivenciei, liguei correndo para minha amiga S.  Acredito ter atrapalhado, ou atrasado bastante o jantar dela com o esposo em pleno feriado, mas ela agüentou comigo o primeiro impacto do que eu havia passado por mais de 1 hora no telefone. Todos os dias desde então no trabalho, ela sempre passa pela minha sala, pra dizer bom dia. Mas seu bom dia, revela muito mais as palavras não ditas, que posso sentir em sua expressão: - eu estou aqui, conte comigo!.
            Minhas amigas queridas M. e F., que acompanharam todo o processo desde o início. Sempre me ofereceram o conforto de sua amizade, e mais uma vez, por mais que tentássemos identificar as causas, enxergar as sombras do ocorrido, nada me dava mais alívio do que poder contar com a companhia delas.
            Minha amiga L. fez da proximidade geográfica um importante refúgio para o meu sofrimento. Abriu as portas de sua casa pra mim. Até o namorado dela M. cobrava dela ajuda, e ele acabou de me conhecer. Aproveitando a proximidade geográfica, combinamos um jantar no meio da semana, mesmo com nossas agendas super lotadas, o espaço foi criado. Decidimos fazer Espaguete à Carbonara. Levei a receita até a casa dela e começamos a fazer nossa janta juntas.
Enquanto o macarrão começava a amolecer na água fervendo, algumas amarras do meu coração amoleceram junto. O sal foi jogado e se dissolveu, junto com ele alguns ressentimentos. O bacon que já começava a fritar na panela, ganhava mais cor e sabor. Eu também parecia mais alegre, mais disposta. O creme de leite ao ser jogado no macarrão, deu liga. E eu também já começava a juntar alguns pedacinhos perdidos.
Minhas amigas todas tiveram a capacidade de se superar nas escolhas das palavras. Foram escolhidas as mais belas palavras, mas nenhuma delas foi capaz de alcançar o conforto fornecido pela força dos simples gestos. Viva o Espagueti a carbonara!!!!!.
                L. e P. me ajudaram num processo importante neste momento: olhar mais pra mim, para os meus sentimentos. Obrigada pela paciência em me escutar, mais ainda pelo gesto da solidariedade e fraternidade.
Se dependesse apenas de mim, eu simplesmente tiraria toda dor, todo sofrimento daquele momento, com o simples gesto de um abraço e continuaria no caminho. Mas para um abraço acontecer, são necessárias duas pessoas. Por isso é tão importante atentar para que em nosso caminhar permaneçamos de mãos dadas. Nem sempre as pessoas do seu caminho vão querer permanecer nele, mas você pode, quando escolher caminhar com alguém, ser aquela pessoa que permanece de braços estendidos, esperando que o outro aceite seguir com você. Caminhar de braço estendido para o outro é uma missão muito difícil, uma vez tomada a decisão, irá lhe exigir um desprender-se, um despojar-se de si, sair de sua zona de conforto e arriscar o que hoje as pessoas já não querem mais: SENTIR. Quem está disposto a fazer isto no mundo de hoje? Vivemos em um mundo onde estamos acostumados a desistir facilmente das pessoas, e assim não trabalhamos nossas limitações, frustrações, traumas, medos e anseios. Tentamos encontrar pessoas que nos entenderão por completo, em especial nas relações de homem e mulher, que acredito serem as mais fragilizadas no mundo moderno. Ninguém é capaz de entender o outro por completo, nem nós mesmos, mas a chave está em ACEITAR O OUTRO.  Mas quanto nós estamos dispostos em fazer isso? Quando vamos parar de dar força para os defeitos? Isso não significa ser ingênuo ou negligente. Mas se avaliamos e decidimos caminhar com alguém, é muito importante ressaltar mais as qualidades para que os defeitos não dominem o cotidiano e nos gerem mais problemas e desgastes emocionais. De uma maneira geral, todos nós temos esta tendência: viver pensando no que falta ser construído, mas isso não agrega. Lembremo-nos do que já temos. Assim podemos viver melhor e isso não é conformismo, é aceitar e desejar continuar construindo. Mais do que qualidades e defeitos é a força dos simples gestos que cultiva as relações.
Pode parecer para muitos uma contradição expressar esta vivência minha em palavras. Mas nas entrelinhas não me atentei para explicar sentimentos. Seria em vão. Escrever me trouxe alivio. Aprendi uma lição que senti a obrigação de compartilhar. É uma forma de transformar meu sofrimento em crescimento. Também é uma forma especial que encontrei de agradecer às pessoas queridas que me ajudaram, mas certamente esta não será a única. Estarei expressando através dos simples gestos do cotidiano. Porque agora Eu quero viver com mais Espaguete à Carbonara.!!!

RECEITA
  ( para fazer com os amigos, familiares. Faça com quem quiser mas faça junto).

Ingredientes :
- bacon à gosto
- 1 colher de sopa de manteiga
- ½ cebola ralada
- 2 latas de creme de leite
- 500 g de espaguete
- 3 gemas
- queijo parmesão ralado à gosto para salpicar

PREPARO
- faça o macarrão
- frite o bacon sem óleo
- frite a cebola com a manteiga
- adicione o creme de leite – misture bem
- acrescente as gemas com o fogo desligado e misture
- junte o creme ao macarrão + o bacon frito e cubra com o queijo parmesão

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Considerações sobre o PODER

Ao exercer o poder podemos utilizá-lo para dominar ou para servir.
Em nossa sociedade, nas relações de troca que estabelecemos, é evidente que o poder que vemos instituído é o poder para dominar.

Ao analisarmos a questão do poder, pela sintaxe, notamos ser de conotação solidária o poder para servir. Em oposição, notamos estar implícito no poder para dominar, valores altamente destrutivos e autoritários. Se parece ser uma briga de antagonismos da força do bem versus a força do mal, porque o poder para a dominação é o que funciona na nossa sociedade, já que gostamos de finais felizes (pelo menos nas novelas)?

Para começar a falar do assunto, me lembrei de algumas experiências em uma viagem feita em 2009 para a Inglaterra e Escócia.
Visitei o Centro Viking na cidade inglesa de York. O centro nos faz voltar no tempo. Passeando em um carrinho como num parque de diversão, entramos em cenários das cidades antigas, que reconstituem o estilo de vida das pessoas daquela época Medieval. Eles foram tão cuidadosos que até reproduziram o cheiro da cidades, que obviamente não possuíam saneamento básico, então já podemos usar da nossa imaginação olfativa. Ao final nos deparamos com uma vasta exposição, onde é possível revisitar o passado, conhecendo as ferramentas utilizadas nas batalhas medievais, moedas, vestimentas e várias outras facetas daquele momento histórico. Mas o que me chamou a atenção foram algumas reconstruções arqueológicas de restos humanos. Me lembro que havia um esqueleto, provavelmente, de um rapaz de aproximadamente 18 anos, que faleceu em uma das batalhas. O esqueleto apresentava vários ossos perfurados pelas espadas de combate. Era possível acompanhar em legendas, em detalhes, a descrição dos golpes que possivelmente o rapaz deveria ter sofrido na cabeça, pernas, braços, etc, etc, etc...... A minuciosidade de detalhes me chocou!
Jamais irei esquecer uma outra situação ocorrida no Castelo de Edimburgo na Escócia. Ao entrar em um grande salão, me deparei com um livro no centro, de espessura maior do que 03 bíblias em folhas de papel A4. Quando me aproximei para verificar, tratava-se de um livro que citava o nome das pessoas que haviam morrido nas Guerras. Meu coração ficou apertado. Ao olhar ao redor, pude perceber que não se tratava de um único livro, mas sim vários que não pude contar porque eram muitos, mas ao mesmo tempo, não iria conseguir contabilizar por ter ficado paralisada.
Nunca me senti tão próxima dos horrores da Guerra. Permaneci, naquele instante, em silêncio ao lado de minha mãe que também não ficou imune ao impacto daquele grande salão. Eram tantos nomes escritos naqueles livros, em letras tão miúdas.
Mas por que retratar esta história para falar sobre o poder? Porque ali foi um dos momentos da minha vida em que pude sentir a proporção da ganância humana. A força destrutiva do poder dominador.
Mas muitos de nós podemos pensar, que se tratou apenas de um período histórico já superado. Não foi o que vi no olhar de alguns ex-combatentes da Segunda Guerra Mundial, que passaram em desfile pelas ruas de Londres. Muitos deles mutilados. Mas ainda assim, muitos de nós podemos ingenuamente acreditar que foi um momento histórico já ultrapassado, que não existem mais guerras de tamanha proporção. As guerras atuais devem estar sendo travadas, em algum pequeno país do Oriente Médio.
Onde está a guerra no sistema capitalista?
Onde a luta pelo poder está sendo travada, em um momento histórico que declaramos, ser a época dos Direitos Humanos e da preservação ambiental?
A guerra atual pela luta do poder está acompanhando as características comportamentais do sistema capitalista.  A luta pelo poder dominador se apresenta para a batalha de forma altamente articulada, descentralizada, em processos especulatórios como nas bolsas de valores. Seus processos são altamente estruturados e desenhados estrategicamente, possuindo alto grau de escalonamento e sua informação é propagada de forma velada e sigilosa. Quem está por trás de tudo, não tem rosto, não tem nome, não tem nação, não tem uma identidade. Algumas poucas notícias abordam conflitos de forma rasa sem os fatores ideológicos e seus desdobramentos, apenas são citados dados estatísticos.
Existem tantos tipos de guerra sendo travadas neste instante. Todas elas acionadas pela sede de poder do homem. Muitas vozes estão sendo silenciadas neste momento, sem o destaque da mídia.
Mas porque o poder dominador é o que vem funcionando nesta sociedade?  
Em uma sociedade de exploração e produção de mais valia, não haveria outra forma possível de exercer o poder.
 Mas o que isso afeta em nossa vida?.
Em especial em nosso país, que carrega a herança genética historicamente construída, de se “levar vantagem em tudo”, vivenciamos vários dilemas diários, como por exemplo, se você necessita de um atendimento médico muito bom e de urgência, geralmente você precisará pagar por isso. Muitas vezes depender de uma marcação de consulta do SUS é um teste para a resistência física, outras vezes a doença passa. As discriminações, as controvérsias avançam não somente no atendimento, mas nas medicações disponíveis, nas técnicas de cirurgia utilizadas, porque se “é DE GRAÇA é melhor não reclamar e vai ter que esperar”, geralmente numa fila com vários papéis preenchidos para burocracias legais. Assim, em vários outros campos, aprendemos e reproduzimos a prática da barganha, tornando nossa vida uma mercadoria. Esse comportamento está tão intrinsecamente constituído em nossa sociedade, que qualquer forma nova de lidar com as questões é visto com estranheza. As vezes pedimos uma informação, e alguém já pega o telefone para arranjar aquela vaga especial para o amigo. E o senso comum diz: TODO MUNDO FAZ ISSO!!!.

Mas e o poder para servir?
O poder para servir está diretamente ligado a outro nível de valores como a: solidariedade, a fraternidade, a justiça. Valores que insistimos dizer em nossas rodas de conversa, que estão muito distantes de serem alcançados. E assim, no conformismo, vamos legitimando nosso comportamento retrógrado de aceitação passiva. Me lembro uma vez minha irmã contar que ao devolver um troco que lhe foi dado em excesso no cinema, o vendedor ficou atônito, espantado e disse que se pudesse lhe daria mais um ingresso de presente.
Mas então se o poder para servir é evidentemente superior o que lhe carece de ser implantado?
Para começar, ao apresentar suas propostas, que logicamente serão contrárias ao sistema vigente, não conseguem respostas, aderência, pois quem está no poder dominador ocupou à todos nós para reproduzirmos, sem ter tempo para pensar ou criticar, pois nos ocupamos em garantir o pão de cada dia. Além, obviamente de já serem possuidores da vantagem competitiva de estarem no poder, facilitando ações de articulação, através da criação de mecanismos para refrear estas ações revolucionárias, que ideologicamente acabam sendo vistas, pelo senso comum, como propostas muito romanceadas, utópicas, surreais.
Uma das barreiras mais difícies para se implantar soluções do poder servidor, é a perpetuação de um comportamento gerado pelo sistema capitalista, constituído pela barganha do valor de troca. E assim tudo na nossa vida vira mercadoria, até nossa saúde. No poder para servir não há troca de barganhas, há um despojar-se de si em favor dos outros, em especial os menos favorecidos. Garanto que isto não é um discurso religioso. Se cada um de nós pudesse vivenciar a experiência de ver alguém morrer de fome, nossa visão de mundo seria outra.
Junto comigo, caminha a esperança de um dia poder fazer mais. Quero que essa chama permaneça acesa, mesmo diante situações que parecem intransponíveis, não devemos ceder ao conformismo.
Esta é uma simples homenagem a muitas vozes que estão sendo silenciadas pelo poder coercitivo neste momento.
Mas existem tantas outras vozes, que podem gritar, mas silenciam-se mediante pequenas injustiças diárias que nos cercam, em prol de garantir suas pequenas e  exclusivas necessidades de consumo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

TDAS – Transtorno de Déficit de Atenção Social

A observação de um simples fato cotidiano, me trouxe até essa reflexão.
Num dia comum de trabalho, minha amiga, uma senhora de 70 anos, encarregada de realizar alguns serviços administrativos, ao me cumprimentar com seu habitual bom dia, iniciou a conversa comentando à respeito de uma colega de trabalho, que estava passando por um dia muito difícil. Seu objetivo era expressar uma de suas idéias para animá-la, pedindo minha ajuda para também oferecer algumas palavras de conforto. Situação que parece comum ao nosso cotidiano. Mas o que de fato me chamou a atenção, é que eu havia acabado de passar (não existe outro verbo melhor para expressar o que literalmente acabara de fazer: “passar”) por essa colega de trabalho, sem ao menos perceber sua expressão de profunda tristeza naquele dia. Fiquei muito incomodada com isso!
 Desde então, comecei a observar as atitudes das senhoras que trabalhavam conosco do projeto da 3ª. Idade. E descobri coisas muito interessantes. Estas senhoras sempre eram as primeiras a se dar conta de várias situações: de pessoas que faltavam no trabalho, pessoas que estavam com algum problema, ou estavam mais felizes, ou se alguém estava doente e sempre se lembravam de perguntar sobre nossos familiares. É claro que alguns fofoqueiros de plantão também sabiam destas informações, mas não com o viés daquelas senhoras, que demonstravam através de seu comportamento, atitudes de preocupação com o ser humano e não apenas uma constatação do fato.
Que mudança de geração é esta que está acontecendo?
Nossa geração vive uma verdadeira crise de identidade. A tecnologia transformou nossa forma de viver. Me posiciono à favor da tecnologia. Ela nos trouxe melhoras significativas em vários campos, vastos demais para serem abordados neste texto. Mas quero direcionar a atenção para um fator negativo. E a culpa não é da tecnologia, mas da forma como estamos nos apropriando da mesma.
 Todos nós estamos sendo infectados, em nossas relações, por uma nova doença, que resolvi chamar de : TDAS – Transtorno de Déficit de Atenção Social.
Tudo que está sendo criado, de uma forma geral, é para acelerar algum processo, e isto está se refletindo em nosso comportamento. Todos nós estamos vivenciando na pele, alguns dos sintomas mais comuns experimentados no coletivo:
- superficialidade nos contatos.
Quem já não se pegou dizendo: - Eu lhe envio um e-mail para marcamos o almoço! Não aproveitamos para agendar, mesmo a pessoa estando na nossa frente. Por que já não resolver a questão?. Por que será que fazemos isso? Não é estranho? Mas assim o preferimos.
E quando resolvemos marcar um encontro com os amigos pela internet? Chego a conclusão que é muito mais fácil ligar do que ter que administrar uma alavanche de e-mails, que no final sempre nos deixam a dúvida se o encontro foi ou não marcado. Acho isso muito engraçado, preciso admitir! Se a tecnologia serve para acelerar, porque neste aspecto a aproveitamos para retardar o processo? Não sei o que responder à respeito deste questionamento.
- foco no individual e distanciamento do coletivo
Foi o que me levou a não perceber minha colega de trabalho. Estava preocupada demais com meus próprios pensamentos. E o foco no individualismo, tem criado problemas nas relações. Hoje conhecemos mais gente, mas estamos próximos de um número de pessoas muito mais reduzido. Não é estranho?. Não é a toa que perdemos muito da nossa capacidade de mobilização social.
- estar em movimento sem se importar com a direção.
Nossos passos são mais apressados, nossos dias mais repletos de atividades. Com a tecnologia criamos brechas possíveis para se ter mais tempo livre, mas agora temos menos tempo. Que contradição!
Poucas pessoas se permitem ao ócio para a geração de novas idéias. O ócio gera uma certa aflição na sociedade de hoje.
Ao invés de aproveitarmos as tecnologias para acelerar o processo de aproximação, parece que ela tem sido usada como ferramenta definitiva, num novo processo de dicotomia social artificialmente criado. E cada vez mais incrementado com novos sites de relacionamento. Aqui não culpabilizo os sites, ao contrário, os utilizo para muitas coisas boas em minha vida. E é isto que quero chamar a atenção: precisamos saber utilizar estas ferramentas. Pois tenho percebido que nos pequenos detalhes, estamos nos distanciando. E é disso que não podemos nos descuidar, pois esse distanciamento nos leva a adoecer. A solidão está aumentando de forma devastadora.
As formas de contágio deste novo transtorno também se refletem nas novelas, nos telejornais, nos outdoors, nas propagandas, na moda, estão expressas em versos musicais. Temos tanta informação que nada mais nos resta do que “passar” por elas. Até na arquitetura sentimos o reflexo desse nosso comportamento. Cada vez mais os espaços coletivos, são construídos em grandes conglomerados, onde milhares de pessoas podem transitar. E mais uma vez, as pessoas “passam” por nós apressadas. Mais edifícios estão sendo construídos, e assim, temos mais vizinhos, mas os conhecemos cada vez menos, à fim de garantir nossa privacidade. E as ruas, cada vez mais vazias, estão expostas à violência urbana. Criamos um grande problema geográfico.
A gravidade dessas novas formas socialmente criadas de se relacionar, estão aumentando os transtornos emocionais em todas as idades.
Como resolver tudo isso? É difícil de se responder. Mas tenho pensado muito no AMOR. Atendi algumas pessoas, que me surpreenderam com suas palavras. Ouço com uma certa freqüência, ser o maior problema não o transtorno mental, mas a falta de amor. Acredito ser o AMOR um remédio que pode curar este problema social, pois o AMOR nos aproxima.
O AMOR é um processo de construção sempre em movimento, representado por um conjunto de AÇÕES significativas, muito mais do que palavras simplesmente expressas em mídias eletrônicas.
Dedico este texto, com carinho, à minha amiga Marlene.

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

DIÁLOGO EM PRESTAÇÕES

           Uma das coisas que mais gosto de fazer é jogar conversa fora com os amigos. Poder falar das crises existenciais, novos desafios, trocar opiniões, enxergar novos pontos de vista. Conhecer mais um detalhe do mundo das pessoas ou experimentar o imenso prazer de descobrir novos mundos, de conhecer novas pessoas que acrescentam novas coisas em nossas vidas.
Ultimamente aconteceram em alguns, infelizmente apenas alguns, desses encontros um fator muito inesperado e positivo, que já há tempos não ocorria: o celular foi totalmente descartado. Em alguns momentos ele tocou mas foi deixado de lado, acompanhado da frase: “mais tarde eu retorno”, em outros o celular nem apareceu em cima da mesa. Maravilha! Assim, o diálogo fluiu em seu ritmo próprio da linguagem, com tempo para processar as informações, com tempo para se elaborar respostas e com tempo para desfrutar com o outro, a imensa sensação da alegria de partilhar, acrescentar, trocar, vivenciar.
A maioria dos diálogos hoje em dia, são uma troca casual de curriculuns. É uma verdadeira disputa para saber quem : faz mais atividades, quem já visitou mais lugares, quem já foi em mais shows, quem trabalha na maior empresa ou tem o melhor cargo. Na sequência, acontece o “despejo” dos problemas existenciais, enquanto o suposto ouvinte está de fato em alerta, aguardando uma pausa na fala do outro para respirar, para despejar seus próprios problemas pessoais. E assim, a disputa passa a ser daquele que está vivenciando a maior desgraça. Ninguém sente alívio na conversa, pois não há interação, há apenas um “despejo” da maior quantidade de palavras possíveis por minuto.
Quem não sofreu uma brusca interrupção numa conversa importante por causa de um toque de celular?. Pois é, os diálogos parecem ser mais apressados nos dias de hoje. Perderam seu ritmo mais natural, e as palavras são pronunciadas na mesma entonação. Os diálogos já não parecem mais ser tão vivos de emoções. É verdade, as mudanças migraram até para a linguagem : as pessoas costumam falar mais apressadamente, e de tempos em tempos param para checar o visor do aparelho de celular, ou até enviar um SMS enquanto você está falando. Nossos celulares partilham a mesa, a refeição, e podem ser bons companheiros pois estão no ar 24 horas e não reclamam de nada. E assim, as nossas histórias são fragmentadas, o nosso diálogo acontece em prestações.
Hoje estar na companhia do outro é um ato revolucionário, assim como compartilhar o nosso tempo.
Vamos ousar conviver mais, amar mais, desejar mais.
Fico preocupada com o sentimento que vejo se perpetuar das pessoas tentando conhecer o máximo de gente possível com o pensamento: “o que vier é lucro”. Estamos mendigando atenção dos outros.
Hoje o processo ideológico construído e incorporado de forma natural pela sociedade, pressupõe um encontrar-se com o outro para destilar uma sequência de fatos e pouca troca de idéias. Funcionamos ao ritmo de propaganda tentando vender seu produto em aproximados trinta segundos.
  À nossa volta há mais história de que podemos supor. Mundos esses que passam apressados por nós nos corredores, nos andares, nos shoppings.
Quem sabe da próxima vez ao encontrar-se com os amigos, o celular deixe de existir pelo menos naquela hora. E assim, possamos redescobrir a sensação que só o encontro com o calor humano pode proporcionar.

domingo, 17 de julho de 2011

ouvir em silêncio (17/07/2011)

Vocês já pararam pra pensar, que muitas vezes nossa ajuda envolve:
1. uma data certa para acontecer : o Natal por exemplo
2. um objeto: um alimento, um brinquedo
3. uma instituição:  muitas vezes com a qual nos identificamos. E geralmente basta discarmos um número de telefone para realizar a nossa contribuição. Talvez um depósito no Banco. E hoje nossa ajuda já não tem fronteiras, podemos envia-la em favor de qualquer causa em qualquer lugar do mundo.

O que quero dizer com tudo isso? Que essa não é a forma correta de se ajudar?
Claro que não, toda a ajuda é muito importante e necessária. Mas, às vezes, me pego pensando em uma lógica em tudo isso.
Por que muitas vezes temos essa tendência de considerar que a ajuda tem uma data específica, um objeto e  uma instituição?
Por que muitas vezes mantemos a ajuda à uma certa distância de nós?
Por que ãs vezes, parecemos evitá-la?
Será que não existe sofrimento à nossa volta?
Existem tantas formas de ajudar, muitas vezes mais simples do que imaginamos.
Será que alguma vez já notamos que uma grande ajuda pode vir do silêncio? Isso mesmo do silêncio!
Já experimentamos ajudar alguém apenas ouvindo silenciosamente?
Pode soar estranho esta colocação : ouvir em silêncio, pois ouvir pressupõe que estejamos em silêncio. Mas será que fazemos isso? Quantas vezes estamos agitados por dentro e não prestamos atenção ao que os outros nos dizem? Quantas vezes estamos mergulhados em nossas próprias preocupações.

Apenas ouvir em silêncio cria pontes de encontro com o outro. É uma poderosa ferramenta geradora de alívio. E que irá te conduzir a ajuda necessária. E como é bom quando alguém nos diz: - Obrigada por me ouvir.
Essa é uma ajuda poderosa e de fácil acesso à todos.
Por que achamos que para ajudar precisamos falar alguma coisa pra alguém ? Ou fazer alguma coisa por alguém?
O que posso fazer para ajudar quem está à minha volta?. Como fazer a identificação?
O primeiro passo é mostrar-se disponível. Se você se abrir, simplesmente não precisará fazer nada. Sua ajuda será solicitada. Muitas vezes basta estarmos com o outro, caminharmos com o outro.
Muitas vezes nossa ajuda não será a melhor. Muitas vezes vamos falhar, errar, mas se mostrarmos para o outro, que estamos verdadeiramente disponíveis para estar com, caminhar com, nossos erros ficarão em segundo plano.
Este é o tipo de ajuda que causa uma verdadeira revolução não somente para quem é ajudado, mas também para quem ajuda.
Temos semeado boas sementes em jardins distantes, mas temos também nosso jardim para cuidar.