terça-feira, 28 de julho de 2015

Maratona do RIO 2015


Eu sempre pensei que havia começado a gostar de corrida ainda no pré-escolar, onde correr era minha brincadeira favorita. Mas descobri recentemente, que o gosto por corrida começou aos 2 meses de vida. Minha mãe me contou outro dia, que eu adorava bater as perninhas e  chegava a ficar suada de tanto repetir a brincadeira. Amigos e outros parentes diziam à ela que aquele comportamento era muito ansioso, mas minha mãe não concordava com eles, pois ela me disse que eu era sorridente e serena. Sintomas de uma possível maratonista no futuro: mexer as pernas por muito tempo e ter serenidade pra percorrer o longo caminho.

A maratona do RIO foi minha terceira maratona. Quais eram minhas expectativas?. Bom, percebi claramente uma grande evolução nesse ano: perdi peso, e ganhei força muscular. Os longões de “bater no muro” foram doloridos é claro, mas comecei a completá-los com maior velocidade e as recuperações começaram a ser mais rápidas. De fato, a grande diferença na minha corrida começou a acontecer após os primeiros 21 km. Comecei a sustentar um ritmo bom por muito mais tempo. Então, naturalmente, estabeleci que o objetivo seria diminuir meu tempo. Aliás, muita gente pensa em diminuir tempo, mas o pensamento deve vir acompanhado de uma evolução gradual corporal: respeitar limites para assim superá-los. Mas sabia que essa meta estava presa à algumas variantes como: cumprir treinamento, altimetria e temperatura no dia da prova.

Treinar para maratona é assim, meio imprevisível. Por exigir muito esforço nos treinos, muitos se cobram e esquecem ou procuram negar essas variantes, o que pode gerar decepção. Não penso dessa forma, não penso nos treinos como esforço para um único momento, penso o quanto ganhei com eles, o quanto me sinto alegre em treinar. A maratona é um momento para celebrar essa mudança na minha qualidade de vida. Isso me ajuda a manter baixa minha expectativa, sem perder foco ou novas metas que me atribuo. Mas em primeiro lugar está o prazer em simplesmente buscar completar mais uma maratona. Esse é o pensamento que mantenho na hora da largada, embalado pela trilha sonora companheira.

Como foi minha preparação para a maratona? O que foi necessário? Segue minha lista pessoal:

ü  2 pares de tênis

ü  Meia dúzia de calças, meias e camisetas esportivas,

ü  muitos tubos de pomada e óleo de amêndoas pra proteger minha pele sensível,

ü  percorrer 1000 km

ü  agua e  167 carbo gels  

ü  um fone de ouvido bem grande estéreo (eu amo correr com música)

ü  superar “coisas de mulher”

ü  esperar a recuperação quando fiquei doente com sinusite

ü  vencer a preguiça

ü  mas tudo isso não seria possível sem meus parceiros : minha irmã nutricionista e meu amigo preparador físico.

Pra que tanto esforço? Pra mim esse esforço significa :

ü  ver o sol nascer,

ü  apreciar a natureza dos parques,

ü  sentir o frescor da manhã (minha sensação favorita),

ü  escutar os pássaros mesmo com meu fone de ouvido,

ü  experimentar na pele as estações do ano (até o frio),

ü  sentir meu lado super-herói em ação,

ü  e claro, (ninguém é perfeito) comer alguns doces a mais.

Quais foram os momentos marcantes dessa maratona?.

ü  As paisagens do RIO

ü  Ter ido com um grupo de amigos da minha equipe de corrida e vê-los também felizes por vencerem seus desafios pessoais.

ü  Ter a companhia da minha mãe

ü  O incentivo do povo carioca aos corredores.

ü  A solidariedade de uma amiga que correu na Family run, mas fez questão de me esperar na chegada junto com sua família.

Resultado da maratona?

Sim, alcancei minha meta. Fui mais rápida e me senti mais resistente.

Resultados pós-maratona?

ü  Uma unha inflamada,

ü  Uma bolha,

ü  Um ralado,

ü  Dificuldade em descer escadas,

ü  Uma fome gigantesca,

ü  Celebrar e contar os detalhes da prova para meus próximos (sei que fui repetitiva),

ü  Receber um monte de curtidas sinceras no facebook.

ü  Realização pessoal

E se tivesse fracassado?

Iria em busca, sem hesitar de uma nova oportunidade, num outro momento, com a disciplina, e determinação, ingredientes da personalidade de um maratonista.

Correr maratona pra mim é uma forma de oração. 

terça-feira, 4 de novembro de 2014

20a. Maratona Internacional de SP ou do Saara?

A maratona internacional de São Paulo anunciou desde o início, em função dos termômetros, que o grande desafio para os maratonistas, esperado no dia, seria completar a prova.

Eu e minha amiga I., iniciamos a prova com o ritmo um pouco acima do esperado, o que se tornou nossa estratégia, em função da temperatura. E como previsto, ao passo da quantidade de kms , os termômetros também aumentavam. E já no km 21, a temperatura superou os 30º graus.

Todo mundo procurava uma sombra e aproveitava cada posto de hidratação oferecida pela organização da prova. Os postos extras instalados foram muito bem vindos e necessários. Seguimos nosso planejamento de suplementação, e aumentamos a hidratação.

Durante a prova tive 2 momentos difíceis. Costumo sentir as provas no km 17, e acabou correndo o esperado, mas rapidamente em menos de 2kms, já estava novamente tranqüila na prova, e não perdi o ritmo. Só fui sentir o cansaço da prova no km 40, onde de fato comecei a correr com o coração, pois a vontade de partir definitivamente para a caminhada foi grande. Isso foi uma vitória, pois muita gente sofreu à partir do km30, onde se iniciou o trecho de 10kms beirando a marginal, sem sombra.

QUANTO A ORGANIZAÇÃO DA PROVA.

Acho que se superaram. Ocorreram postos com a água sem gelo, mas fácil de compreender em função do aumento crítico da temperatura. Alguns amigos que completaram a prova depois, reclamaram que a água havia acabado, ponto realmente delicado. Vi relatos de problemas de logística da prova que tinha a água e não distribuíram corretamente e de postos abandonados antes do tempo limite da prova, erros que considero graves. Por outro lado, também vi erros por parte de atletas que estavam participando como “PIPOCA”, o que atrapalha a logística de qualquer prova.

Pra mim, o que lamento muito foi o trecho de 10kms entre o km 27 ao km 37 beirando a marginal Pinheiros, que trouxe uma sensação desértica, sem sombras, além da sensação de estarmos sendo separados da cidade para não atrapalhar, e uma maratona é a celebração dos atletas e a integração com sua cidade. O restante foi alegria e comemoração.

O Brasil ainda tem muito o que melhorar. Maratonas precisam ser feitas no período mais frio do ano por aqui. Uma largada para a maratona certamente tem que ser às 7hs da manha ou mais cedo e não às 8hs.

LIÇÕES DESTA MARATONA

- a estratégia para a maratona vai variar conforme as condições climáticas do dia da prova. Podemos prevêr, o tênis a usar, a roupa, a marca da suplementação, mas o clima não. Correr maratona é pra os estrategistas, para quem é camaleão e se adapta às adversidades. É ir pra pista e descobrir se será a prova pra curtir o lugar, para superar recordes pessoais, ou talvez seja o dia em que o grande desafio seja completar o percurso.

- pra ser maratonista é preciso interagir com a natureza. Correr no frio, na chuva, no calor. Pode parecer ameaçador, um tanto quanto sacrificante no começo, mas depois aprendemos com a natureza, interagimos com ela. O prazer de treinar supera a diversidade climática e você curte um dia de chuva, um dia de sol e desfruta mais do que a natureza oferece.

- ser maratonista é saber treinar no volume certo, respeitar os descansos, conhecer melhor seu corpo. Se fizer tudo isso, a prova vai proporcionar prazer. Conheço corredores muito bons, com desempenho em provas menores bem superiores ao meu, mas que não tem uma maratona no currículo, por não entender que é uma prova a ser planejada. E muitas vezes, é necessário diminuir o ritmo para ir mais longe. Num
mundo onde tudo hoje é imediatista, a maratona é um desafio e amplia nossa capacidade de perseverar e superar obstáculos. Isso é o que mais me atraiu para ser maratonista.

- ter um preparador físico e nutricionista esportivo é fundamental para o sucesso: ou seja, terminar a prova com saúde. Não adianta ficar em dicas de revista pra correr esta distância, pois como diz nosso professor FC : maratonista já é ser esportista, não apenas um praticante de atividade física. E um esportista que trabalha , que tem compromissos e que não vive financeiramente do esporte. Eu e minha amiga percebemos o quanto a ajuda do nosso time foi necessária para nosso resultado: FC e LG, a vitória foi nossa!!!. E foi muito bom comemorar isso com vcs!!.

- Existe uma fase do treinamento de uns 3 meses que o foco será intenso e que vai obrigar a deixar outros compromissos de lado. Mas é uma fase, depois a vida social pode e deve ser retomada. Portanto, é necessário planejar este período.

- O treinamento para maratona é bem drástico, em termos de aumento de volume quanto diminuição. É preciso lidar com estes cenários extremos. Tem gente que não consegue parar pra descansar e se recuperar. Isso é muito importante.

- Correr pra mim, significa meu refúgio, onde busco meu equilíbrio do stress diário, mas esse ano, descobri um novo prazer. Além de tudo isso, virou meu ponto de encontro com amigos. Descobri o prazer de correr com amigos, da delícia de levar minha garrafa térmica para o parque, só pra curtir junto com o lanche da nutricionista, um café com minha amiga I, pós-treino.
No dia da prova, quanta emoção!. Muitos amigos da equipe da corrida e familiares nos esperando. Nosso amigo A. correu os ultimos 4kms conosco, apareceu num momento crucial onde a vontade era partir definitivamente para a caminhada. Ele foi nossa rapadura pra dar aquela energia extra. Sem contar com tantos amigos que nos ajudaram durante todo o treinamento, confiantes e curtindo conosco todo nossa evolução até o dia da prova. Minha primeira maratona foi fora do país e queria fazer uma aqui só pra poder abraçar, mesmo suada...rsrs, todos meus amigos.

- Satisfação da chegada : complete uma e você saberá. E esse ano senti uma emoção maior do que esperava, pois ela veio em dobro. Não foi apenas eu ter completado o percurso que me emocionou , mas foi estar presente no momento em que minha amiga I. coroou o título de maratonista. Parabéns a ela e ao pequeno grupo seleto de 299 mulheres guerreiras, que naquele domingo, no meio de milhares de pessoas, fizeram o grande feito de completar a 20ª. Maratona Internacional de São Paulo. Ou será do Saara?.

sexta-feira, 25 de abril de 2014

DUAS SEMANAS DE AMOR ETERNO

NÃO POSSO TE GARANTIR NADA!!!.
Esse texto é a reflexão e minha revolta por não agüentar mais ouvir essa frase tão covarde.
A mulher foi treinada para cuidar do homem em troca de receber nada, esse é seu papel social. Mas isso não a exclui de não querer oferecer nada. Além disso, se a gente não receber nada, eles nos treinaram para acreditar que a culpa foi inteiramente nossa. Resumindo, eles tem tudo e ainda estão isentos de sentirem culpa. Mas que comportamento psicopata?
Atualmente, o máximo que podemos esperar, é uma paixão fugaz, que em tempos líquidos, como diz Bauman, onde nada tem forma, nada podemos conter nas mãos, até a paixão hoje é mais instantânea. Os especialistas dizem que ela tem validade de 18 meses, mas em uma sociedade de baixa tolerância à frustração, com um mercado cada vez mais cheio de atrativos de produtos (leia-se mulheres, pois é assim que somos vistas na sociedade) espalhados por ai, a rápida satisfação e extinção dos desejos, desafia esse prazo de validade. Eu posso te dar no máximo, duas semanas de amor eterno.
E na hora de DR, Discutir a relação, a velha frase dos Paralamas do Sucesso : eu quis dizer, você não quis me escutar, é a favorita do gênero masculino. Ou seja, além de tudo, eu mulher sou SURDA.
Se não bastasse, o homem ainda pode fica numa relação por comodismo, sem sofrer sanções sociais por isso, e ainda a culpa será sua por ter sido CEGA. Depois disso, você se revolta, mas de nada adianta, porque sempre tem uma amiga que diz: não diz nada, ignora, porque isso vai afetá-lo mais. Ou seja, agora querem que eu seja MUDA. Talvez possa afetá-los por no máximo 5 minutos, talvez dois dias, se ficar em silêncio, ou talvez é exatamente isso que ele deseja: meu santo silêncio. Mas se você mulher resolve não seguir essa regra em ficar quieta, e resolve se “revoltar”, a culpa também será sua, porque agora você é histérica e precisa de tratamento para recuperar sua estima. Resumindo: agüente tudo calada, e não se revolte e ainda não peça para ser canonizada!.
Enfim, quem disse que o mais difícil hoje em ser mulher é ter uma jornada tripla de trabalho?. Além de tudo isso precisamos ser MUDAS, CEGAS E SURDAS. Mas temos que ter o PALADAR e TATO apurados: na cozinha e na cama. E uma série de coisas que os homens tem feito são consideradas “normais”, e que de fato, se resumem à uma verdadeira falta de respeito, como a velha frase que eles se acham no direito de dizer: EU NÃO POSSO GARANTIR NADA!.

domingo, 26 de janeiro de 2014

ORÇAMENTO DA MULHER CONTEMPORÂNEA

Fiquei curiosa e me perguntando: Quanto será que uma mulher gasta com estética por mês?. Entre : manicure, cabeleireiro, depilação, cremes, tratamentos, o valor pode girar em torno de R$ 500,00 mensais até um limite difícil de imaginar, dependendo do tratamento e da variação infinita de produtos e serviços no mercado voltado à beleza feminina. Portanto, a mulher corre um risco muito mais alto de falência financeira.

Cada vez mais, a diversidade em serviços especializados surge. Hoje não fazemos a sobrancelha, consultamos um profissional designer ou vamos numa sobrancelharia. Os nomes e técnicas ficam cada vez mais sofisticados, e os preços cada vez mais exorbitantes. Passar um esmalte na unha sem desenho já perdeu a graça e ir na manicure é coisa ultrapassada, porque hoje vamos na esmalteria. Depois dessa, acho que vou relaxar num SPA urbano e pra liberar o stress, vou me matricular numa academia de crossfit.

Pra falar a verdade, é chocante o quanto a mulher precisa gastar para ficar na moda. Ainda com o salário geralmente mais baixo, o custo financeiro é preocupante, sem contar com o apelo emocional. Outro fator a ser levado em conta é uma das coisas mais raras que temos hoje em dia: o tempo. E como investimos tempo e energia nessa rotina da beleza feminina. Pelos meus cálculos não menos do que 5 horas semanais.

Às vezes nesses produtos e serviços já não sabemos mais distinguir o que são necessidades reais ou produzidas socialmente, ou o que são produtos necessários para a saúde, ou criados pelo mercado da saúde. E novos dilemas são colocados à nossa disposição. Na depilação já não dá pra saber a quem agradar: o namorado?, o ginecologista?.

Depois de todos os cálculos feitos, ainda numa progressão anual, estou torcendo pra cabelo branco voltar a ser moda, ou melhor, nem pra isso posso torcer, pois senão vão inventar algum produto novo para mulheres com cabelos brancos. Enfim, fico tentando entender: porque tirar a cutícula se tornou tão essencial na minha vida?. Será que a mulher conseguiu a liberdade de seu corpo?.

Bom, depois de tudo isso, percebi que para ter minha independência financeira, vou ter que lutar não só com o mercado de trabalho que oferece condições desiguais de salário, obviamente inferior para as mulheres, mas também tenho outro adversário: o gigante mercado de estética feminina e todo o tempo que fico envolvida nessas atividades.

Ai meu Deus, preciso parar com isso, essa reflexão fez mal pra minha mente, e acho que só consegui economizar R$200,00, o que já é alguma coisa, mas ainda não consigo aceitar que gasto tanto dinheiro por mês com beleza. Estou ficando com dor de cabeça e ansiosa. Engraçado....... o tratamento para ansiedade eu consigo pelo SUS!.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Conto do Salão de Portas

Era uma vez uma sala cheia de portas. Todas elas foram abertas pelo dono do salão que pediu, à cada uma, que criasse sua própria realidade. Suas criações eram apresentadas aos moradores da cidade em uma exposição mensal especial, que atraia multidões inclusive da região.
Ocorre que uma das portas inventou como criação, a emissão de luz e em pouco tempo, se tornou a grande atração do salão. Seu brilho começou a emanar de forma tão intensa, que as outras portas começaram a se incomodar com sua luz. Então, o salão passou a ser tomado por uma atmosfera de desconfiança, ciúmes, intrigas e inveja. Esses sentimentos cresceram tanto, que as portas resolveram se opor, e uma reunião foi agendada com o dono do salão, com o objetivo de fechar a porta de luz. Temendo o sentimento que se instaurou no salão, o dono fechou a porta.
Dias, meses se sucederam e as visitas ao salão, aumentavam cada vez mais, porque agora os visitantes, desejavam descobrir a origem do brilho que saia detrás da fechadura da porta de luz.
As portas ainda mais revoltadas, sentiram que suas preces foram atendidas, já que, sem solicitarem, o dono do salão agendou nova reunião. E para a surpresa geral, ele agradeceu a idéia magnífica de fechar a porta, pois o faturamento do salão havia dobrado.
A porta de luz sorriu.

terça-feira, 29 de outubro de 2013

MARATONA DE ATLANTA (27 de outubro de 2013)

Chegou o dia esperado há um ano. Pela primeira vez, estava na largada para correr uma maratona. A cidade escolhida foi Atlanta nos Estados Unidos. O motivo? Há 1 ano e meio minha irmã está morando lá. Então, além de visitá-la, planejei a realização desse grande sonho.

A cidade de Atlanta fica no Estado da Georgia. É uma das cidades mais promissoras dos Estados Unidos. Possui o Aeroporto mais movimentado do mundo, e é um centro de interligação de todo o país, com suas linhas ferroviárias e hub principal da empresa Delta. Entre as grandes atrações possui o maior aquário indoor do mundo, e foi sede dos Jogos Olímpicos Centenários de Atlanta em 1996. A cidade possui 420 mil habitantes, sendo a 9ª. Maior do país, a temperatura é quente no verão e os invernos são mais amenos, sendo incomum a ocorrência de neve. A última precipitação ocorreu há 4 anos. A cidade foi totalmente destruída pela Guerra Civil em 1864 e reconstruída anos depois, e aqui, nasceu um dos maiores líderes da história : Martin Luther King  Jr.
Já que o texto tem sua parte histórica, porque não falar um pouco sobre a maratona?. A modalidade se diferencia dos demais esportes, pois tem sua origem baseada em uma lenda, que conta que no ano de 490 A.C, o soldado grego Feidípedes, foi enviado por seu general à cidade de Atenas, para informar a vitória na planície de Marathónas contra os persas. À fim de evitar que as mulheres e crianças executassem um plano de suicídio coletivo, já que os persas prometeram atacar e matar todos da cidade, o soldado ao percorrer a distância de aproximados 40km, ao chegar conseguiu apenas dizer “vencemos” e faleceu em decorrência do esforço. Então, desde os primeiros Jogos Olímpicos a modalidade foi criada, sendo oficializada nos seus 42,195km, nas Olimpíadas de Londres em 1908.
E as mulheres?
Somente 80 anos depois, pois acreditavam que as mulheres não eram capazes de correr uma maratona, o primeiro campeonato oficial ocorreu em Atenas em 1982, tendo como vencedora, a lendária corredora portuguesa Rosa Mota, conhecida no Brasil por ter vencido 6 vezes consecutivas a São Silvestre. A primeira Olimpíada a ter a versão feminina foi a de Los Angeles, em 1984, tendo a norte-americana Joan Benoit como vencedora da prova.

E minha experiência particular?
Estar aqui nesta cidade, cercada pela história do centenário Olímpico foi uma motivação extra para a realização deste sonho. Os dias que antecederam a prova, foram tomados por uma certa inquietação, mas assim que o grande dia chegou e dei meus primeiros passos na largada, apenas vinha o pensamento de seguir adiante, um passo de cada vez, e aproveitar ao máximo o momento e fazer o que gosto: correr.

O dia ainda estava escuro, mesmo as 7 horas da manhã. Passamos pelo centro da cidade e pelo local onde foi acesa a tocha das Olimpíadas de 1996, momento de muita emoção. A altimetria da prova é desafiadora, em especial nos ultimos 20km, momento de se quebrar a famosa barreira dos 30km. Por isso, foi preciso pensar em adotar estratégias. Escolhi aumentar o ritmo nos primeiros 21kms e depois, diminui para enfrentar as subidas e curvas que me esperavam.
A estrutura da prova, apesar de ter poucos corredores maratonista finishers: 981 sendo destes 367 mulheres, foi excelente. Postos de hidratação a cada 1 ½ milha com banheiros, lixos e um total de 1800 voluntários, nos animando em todo o trajeto da prova. A água era servida já no copo e na quantidade indicada para se tomar a cada 2km. Não precisei abrir garrafas ou copos. Além da água, a prova disponibilizou postos de hidratação com isotônicos e carboidratos. Outra informação interessante foram os pace teams, equipes que correm juntas, mantendo um ritmo médio à sua escolha, desde teams abaixo de 4 horas até 5 e 6 horas.

Que lições que aprendi?
Limites existem, mas muitos somos nós que criamos.
Quando se está diante de situações limite, aprendi preciosas lições:

- o limite impõe respeito e atenção

- planejamento: não se rompe limites sem estratégia e planejamento.

- ser gentil consigo mesmo durante todo o processo: há dias em que nos sentimos bem, outros não. Por isso é preciso se respeitar, nos treinamentos e no dia da prova.

- paciência : para lidar com os obstáculos: previsíveis e imprevisíveis

- disciplina: é o que te faz levantar cedo para cumprir o programado.

- coragem : acreditar na sua capacidade de se reinventar, de se superar.

- sonhar : é o sonho que te faz visualizar a linha de chegada. É ele que te faz viver antecipadamente a vitória.

- liberdade: é o sentimento experimentado por alguém que já foi capaz um dia  de correr uma maratona.

- realizar : sonhos são visualizações de futuras realizações. É preciso aprender a curtir o momento. Tem gente que termina a maratona pensando em outras coisas e esquece de aproveitar ao máximo a realização do agora.

- Comemorar : a realização só tem graça quando pode ser comemorada e compartilhada com as pessoas, como faço aqui com todos vocês que estão lendo. Não tem graça fazer algo e não ter para quem contar a história.

Maior lição?
Entre as várias que vocês leram, se tiveram a paciência de chegar até aqui, tem uma lição especial:  Pessoas simples, podem fazer coisas incríveis. O que você está esperando? Seja o próximo!.

domingo, 15 de setembro de 2013

PARTILHA

O que nos faz sentir sozinhos?
Não ter ninguém ao lado?
E quando nos sentimos sós no meio de multidões, ou com pessoas próximas com quem convivemos? Por que esta insatisfação?
E aquelas pessoas que se sentem muito bem mesmo quando aparentemente estão sós? Por que isso parece ser um desaforo ou algo improvável?

Andei pensando em uma ditado popular, que diz que todos nós nascemos e morremos sozinhos. Esta idéia nos é apresentada como os momentos de solidão mais críticos de nossa caminhada. Eu quero discutir nesta breve reflexão, as ausências e solidões do meio do caminho, pois é neste meio, que construímos nossas histórias, onde passamos praticamente, toda nossa existência.
Esse meio do caminho, ganha uma invisibilidade, mas é nele que a coisa acontece.

Pra mim a resposta ao combate à solidão é a partilha.
É mais fácil neste caminho, que com certeza, não foi feito para ser solidão, aprendermos a caminhar com aqueles que nos fazem sentir bem, sem entender muito bem as razões. Aceitar os defeitos e até rir deles, e saber que cada um está na sua estrada. Diminuir as críticas, aumentar a solidariedade. As pessoas quando convivem muito, tem esse estranho movimento em aumentar a tensão, e depois desejam ser sós, mesmo quando se ama. Talvez por isso muitos amores cresçam na ausência, e desapareçam na convivência. Mas do que vale isso? Viver sem conseguir ter satisfação? Ou viver com medo de que essa satisfação aconteça? Muitos de nós sofremos desta dualidade esquisita. Talvez porque buscamos a compreensão total dos outros e esquecemos o valor da partilha.
O que temos para partilhar hoje?