quinta-feira, 28 de junho de 2012

PLANTA DA FELICIDADE

PLANTA DA FELICIDADE

Era uma muda pequena, com galhos bem tortuosos, uma "amostra" da planta popularmente conhecida como planta da felicidade ou da fortuna . Ela foi colocada na sacada do apartamento e resistiu bravamente, às intempéries do tempo e da falta de tratamento por parte de sua dona. Era pouca água, pouco solo, muito vento, e às vezes falta de sol ou excesso dele. A planta passou vários meses mais parecendo um estorvo, um convite para o tropeço dos convidados, que ao visitarem a sacada, mal podiam sentir a presença daquela pequena plantinha colocada num cantinho às escondidas.

Mas a plantinha resistia bravamente ao ambiente inóspito e à sua dona. Até que ela, olhou para aquela resistência com olhos caridosos e cedeu à bravura daquela pequena muda e inspirou-se no seu trato com mais afinco (ou melhor, com pelo menos um pouco de afinco).

Meses foram se passando e agora a planta recebia um pouco mais de água regularmente. Em resposta aos pequenos cuidados, esboçou um rápido crescimento de suas folhas verdes que se espalharam intensamente pelo tronco pequeno e tortuoso. A felicidade de sua dona começou a brotar e quanto mais ela se sentia feliz, mais a planta respondia à sua felicidade.

Mas as intempéries do caminho, nuvens mais poluídas, em meio aquela felicidade, trouxeram à plantinha, uma praga. Suas folhas verdes começaram a ser tomadas, e a praga se espalhou de forma imperceptível e inocente enquanto a dona, mantinha o foco na estética. Mas bastou um dia querer ver com olhos de lupa, para perceber a rápida proliferação da praga em sua planta.

Começou então uma campanha para mantê-la viva. Sua dona começou a limpar, folha por folha, cuidar de cada galho. Mas as folhas, àquela altura, já tinham perdido muito de seu brilho, seu tom verde já não apresentava mais vivacidade, eram folhas verdes pálidas e apáticas. Então, mesmo depois de ter limpado as folhas, a praga reinscindiu. Novamente, cada folha, cada galho, foi cuidado especialmente. Até que não houve outra alternativa para a dona a não ser, cortar aquelas folhas verdes, na esperança, de que novas pudessem brotar.

A árvore agora com aparência desértica, continuou resistindo às mudanças de estação e em pleno outono, resolveu começar a brotar novas folhas verdes vivas na cor e espessura. Mas agora a dona tinha outro problema para resolver, precisava viajar. Quem poderia lhe ajudar neste momento?. Todo aquele esforço e aquela parceria precisava continuar. Então ela pediu à sua vizinha que naqueles dias de sua ausência, pudesse cuidar de sua plantinha.

Mais um tempinho se passou e a planta continuava lá vistosa, esbanjando beleza. Mas veio novamente a praga, quando menos se esperava, e quando parecia ser aquele apenas um capítulo do passado ( como na nossa vida). Foi preciso pensar em combatê-la de nova forma, por um novo ângulo (muitas vezes a única solução para resolvermos vários problemas), pois em breve não haveria outra solução a não ser cortar novamente as folhas. Sua dona naquele momento, foi tomada por uma vontade de desistir. O que a fez mudar de idéia? A resistência que a planta havia apresentado desde o começo. Então ela foi na loja de jardinagem e comprou um remédio. A praga era forte, pois precisou de um tempo para que o remédio fizesse o efeito esperado, mas fez. A planta resistiu e como resposta, esbanjou sua melhor forma. Mais folhas verdes viçosas foram se espalhando pelo galho verde e tortuoso. A planta respondeu ao caos com vida plena. Agora sua dona curte a boa forma estética de sua planta, mas de vez em quando, olha com olhar de lupa.

Chegou um momento em que a dona da planta parou para refletir: - por que esta planta insiste em resistir ao tempo? A resposta veio rapidamente em seu íntimo. Ora, ela havia sido dada com muito amor pela sua mãe.

E assim, a natureza nos ensina que todos precisamos das pessoas por perto para nos dar àgua (vida), que outras vezes, não conseguimos sozinhos cuidar e precisamos dos outros para regar nossas plantas (para nos ajudar em diversas situações vividas). Muitas intempéries podem surgir no caminho, como o vento o excesso do sol, a falta dele e que teremos que resisitir nesta jornada, muitas vezes em silêncio, às vezes sendo aquela plantinha escondida no canto da sacada. Mas podemos crescer tanto com o sofrimento que nos tornamos vigorosos, e já não passamos mais despercebidos. Outras vezes, vamos precisar de remédio, outras vezes não. E assim, vamos dando equilíbrio à vida.

Mas a dona acredita, deposita sua fé e esperança no fato que de aquela planta sobreviveu à tantas adversidades porque ela foi dada com amor pela sua mãe. Em tempos de vínculos à curto prazo, de satisfações momentâneas e instantâneas, eis a maior prova do amor : resistir ao tempo.

Esta é a história da minha planta a felicidade e da fortuna que mora comigo desde 11 de janeiro de 2011.