quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

SONHOS PROGRAMADOS

O que é o destino? E que força desconhecida o sonda?
Quais são nossas escolhas?
Escolhas e destino: caminham juntos e se confundem.

Notamos os momentos em que estamos escolhendo ou somente as conseqüências de nossas escolhas? O que costumamos nomear: destino ou escolha? Como chamamos nossas atitudes, que ora são pistas, ora respostas de nossas escolhas?

Será que estamos chamando de destino aquilo que desistimos de tentar? Ou aquilo que nos aflige e não queremos enxergar? Ou ainda o que está fora do nosso alcance realizar no momento?

E o que falar então das escolhas que fazemos? Elas são frutos de uma reflexão ou apenas de um ato impulsivo? E os momentos em que precisamos tomar rápidas decisões que podem mudar muito nossa direção? E o contrário: quando precisamos de ponderação e calma?

Nas triagens sociais que realizo, ainda me assusto quando pergunto para meus pacientes quais são seus sonhos. Muitos acham a pergunta surpreendente. Muitos deles começam a pensar à partir do momento em que eu faço a pergunta. Outros deles, a grande maioria, respondem sonhos comuns. Não tem aparecido muita variedade nisso, o que me assusta ainda mais e o que evidencia a falta de reflexão no assunto.

E então me veio outro questionamento: será que todos temos os mesmos sonhos? Ou são sonhos construídos pela coletividade da sociedade em que estamos inseridos? São sonhos programados? Será que estamos ampliando nossa capacidade para fazer escolhas baseadas em nosso próprio eu, ou ainda muito disso está contaminado pelo que a sociedade espera da gente? Que eu ideológico é esse que se esconde em mim?

Quando somos jovens, temos tantos sonhos e desejos, mas não temos experiências e vivências. É o que vamos adquirindo, acumulando com o passar dos anos. E assim nossos desejos e sonhos vão sendo testados. Quando nos tornamos adultos, queremos viver nossos sonhos, realizá-los. Muitas vezes a experiência acumulada muda nossos projetos, outros descobrimos que eram fantasias, outros não eram assim tão desejados quanto esperávamos. E outros sonhos aparecem. E o que será então na idade avançada? Não posso dizer, ainda não vivi, mas posso sonhar.

Hoje sei que o mundo nos faz mergulhar nas notícias, em fatos e acontecimentos ao redor do planeta. Mas hoje eu também quero mergulhar nesse meu mundo interior e redescobrir novos recantos da minha alma.

Destino, escolhas socialmente construídas e escolhas próprias. Hoje sei melhor o significado de cada uma dessas coisas na minha vida, pois é preciso conhecer estas versões para a construção de um EU autêntico, sólido e real.