Neste mês de julho, foi comemorado o dia dos avós e a minha paróquia teve uma bela iniciativa: publicar um livro de receitas das avós. Adorei esta proposta e em homenagem à uma geração de minha família, gostaria de compartilhar com todos, a receita que encaminhamos e a história dela.
FOLAR
Meu pão da vó
receita tradicional de Portugal
Em 1958, uma pequena família atreveu-se a deixar sua pátria em busca do sonho do novo mundo. Gente simples, que o pouco dinheiro que ganhava, guardava debaixo do colchão. Alguns anos já no Brasil, fixaram endereço na rua Amazonas em São Caetano do Sul - SP, por volta do número 300- centro da cidade. E como portugueses típicos, abriram seu comércio.
Era um pequeno bar e nos fundos um quarto que abrigava a família de 5 pessoas: minha avó e avô paternos, meu pai, meu tio e minha tia-avó. Junto com eles desembarcou no Brasil, uma receita típica da sua aldeia Gestosa em Trás-os-Montes, província lusitana já bem próxima do país vizinho: Espanha (contava meu avô que era possível cruzar a fronteira a pé).
Era comum, na época de celebração da Páscoa e na festa de Nossa Senhora da Assunção (festa típica da região celebrada até os dias de hoje, em 15 de agosto) se preparar o Folar. Esta tradição se perpetuou em nossa família até os dias de hoje. Pão que carinhosamente apelidamos do pão da vó, mas que sempre foi feito por sua irmã Otília de Assunção, nome que lhe foi dado em homenagem por ter nascido na época da festa.
Se me perguntarem um gosto que me remete a infância sem hesitar, logo vou responder: claro que é o folar. Pra mim a Páscoa tem gosto de folar. Me lembro que aguardava ansiosa chegar essa época do ano, que por mais que insistisse, ele só era preparado para a Páscoa. Assim, eu poderia, durante toda a semana, levá-lo como lanche da escola. Apesar de sempre dividir minhas coisas com os outros, lembro bem que se precisasse dividir o folar, eu tirava um pedaço bem pequeno.
Nos últimos anos, a idade avançada das duas, fez com que minha mãe Ana Rosa assumisse o posto em continuar a perpetuar esta tradição familiar. Para prestar esta homenagem aos avós, convenci minha mãe a preparar o pão fora de época. Juntas queremos prestar esta homenagem à uma geração de nossa família, que nos deixou saudades, histórias e o prazer em forma de receitas.
Minha tia avó Otilia, 85 anos, é participante desta comunidade.
Minha avó Berta Augusta faleceu no dia 12 de março de 2011, dia do meu aniversário. Ambas celebramos a vida, apenas em dimensões diferentes.
O folar é um pedaço muito gostoso da história de nossa família, que nos proporciona a celebração da alegria, união e vida.
Curiosidades - minha tia Otília dizia que não podia "cutucar " a mesa,
enquanto a massa aguardava crescer para ir a forno, senão o pão não crescia.
Necessário preparo físico para sovar a massa!!!..rs.rs.rs...
Ana Luiza da Silva Garcia
Ingredientes para o recheio
400 gramas de baicon
250 gramas de apresuntado
1 linguiça portuguesa grande
1 paio médio
Todos estes ingredientes devem ser cortados em cubos graúdos.
1 xícara e meia de azeite extra virgem
Ingredientes da massa
140 gramas de fermento biológico
1K e meio de farinha de trigo
12 ovos (de preferência que estejam na temperatura ambiente)
1 colher de sopa de sal
1 xícara de água morna
Modo de preparo
- Fritar o baicon em uma xícara e meia de azeite - até o baicon reduzir pela metade.
- acrescentar ao baicon, as outras carnes e deixar fritar por um pouco mais de tempo.
- tirar as carnes e reservar o azeite (que será utilizado para o preparo da massa)
- peneirar 1 kg de farinha em uma bacia funda (o outro meio quilo será usado para sovar a massa)
- abrir um buraco no meio da farinha para acrescentar os ingredientes a seguir:
1 - o sal
2- o fermento - que deverá ser dissolvido em um copo de água morna
3- os ovos
4 - o azeite que estava em reserva (utilizado para fritar as carnes).
- misturar todos os ingredientes
- sovar a massa ao ponto de desgrudar da mão. Utilizar o restante da farinha para isso.
- dividir a massa em três partes (ela ainda vai grudar um pouco).
- untar uma forma funda com azeite e abrir uma das partes da massa com a mão e rechear com metade das carnes
- Repetir o processo com a segunda parte a massa
- Cubrir com a terceira parte da massa.
- IMPORTANTE: ao colocar a última parte da massa fechar bem para que ela não abra.
- Deixar a massa crescer até dobrar o volume. A massa deve ser coberta com toalha grossa bem seca.
Nenhum comentário:
Postar um comentário