quarta-feira, 23 de maio de 2012

Gestos Solidarios

Era uma vez.......


A professora estava preocupada, pois acordou com uma forte dor de garganta e justamente naquele dia, precisava ensaiar com seus alunos a peça de encerramento do semestre.

Chegando na sala, percebeu que somado à sua dor de garganta os alunos estavam inquietos. Os ensaios começaram e muitas cenas precisavam ser corrigidas. Alguns alunos queriam trocar de papel e começaram a negociar com seus colegas. A professora via toda a cena, todo aquele movimento, mas sem sua voz, não estava conseguindo fazer com que seus alunos voltassem à atenção aos ensaios. Até que resolveu mostrar à todos eles, sua insatisfação, através do seu silêncio e de seu rosto que agora ficara fechado. Vendo aquele gesto, um aluno após o outro, começou a repetir o mesmo silêncio e fisionomia. Um e outro aluno distraído, levou uma bronca dos próprios amiguinhos, até que o silêncio se estabeleceu.

A professora conversou carinhosamente com todos eles, mostrando que precisavam se organizar para atingir o resultado satisfatório na peça. E então, um fato inusitado começou a acontecer. Uma aluna estendeu a mãozinha para a outra e pediu perdão, porque achou que sua colega ficou chateada por ela ter solicitado a troca de papel. Mas sua amiguinha, continuava com a cara fechada, o que não a impediu de insistir, até que ela concordou com o pedido e lhe estendeu a mão de volta. O gesto solidário foi se repetindo entre os outros alunos. Mais mãozinhas começaram a se estender para outras, e começaram a pedir perdão uns aos outros. Mesmo quem não tinha feito nada, na garantia, resolveu pedir perdão, porque queriam estender a mão e participar da brincadeira com seu amiguinho. No fundo, queriam era manter a amizade. Queriam reestabelecer a alegria e o bom convívio que já tinham alcançado.

De repente, um aluno se levantou e sugeriu para os outros coleguinhas dar um abraço na professora, porque não queria que ela ficasse mais chateada com eles. E todos sairam correndo para abraçar a professora e dizer o quanto gostavam dela.

O sinal bateu, mas os alunos não estavam com pressa para ir embora naquele dia. Queriam ajudar a professora com os materiais. E ela se viu precisando inventar tarefas para incluir à todos nesta ajuda.

Aquele dia a professora foi para casa se questionando: " - E ainda acho que sou eu que estou ensinando!".

- Onde foi parar nossa inocência?

- Onde foi parar nossa capacidade para perdoar?.

- Muitos perdoam em pensamento. Mas será que demonstram? Verbalizam?

- Mas o pior de tudo isso é: - Onde foi parar nossa capacidade de reconciliação?. Eu perdou mas te excluo da minha vida sem ter a chance de reparação. Que tipo de perdão é esse?.

- Onde foi parar nossa capacidade de incluir ao invés de excluir?

- Onde tudo isso foi parar?. E sem isso, onde vamos parar?.

OBS : Comecei o texto, com o Era uma vez...., porque atitudes como estas, estamos vendo apenas em contos de fadas e no mundo das crianças. Mas mantenho a esperança, do desafio de viver este gesto de amor em meu cotidiano: em buscar sempre a reconciliação e não me contentar apenas com o perdão.
                        Com carinho, agradeço aos meus alunos que me fizeram vivenciar esta incrível experiência.

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