segunda-feira, 19 de novembro de 2012

SER PRESENTE

Os primeiros sinais de cansaço físico começaram a aparecer. Pode até ser o cansaço de final de ano, mas é preciso estar atento aos sinais. Desenhei num papel um círculo e dentro deste circulo, coloquei um ponto para visualizar cada atividade que realizo. O círculo ficou cheio e isso não é bom. Fiquei impressionada com a quantidade de atividades e com a diversidade de possibilidades onde estou investindo a minha energia, a minha vitalidade. É bem interessante ter diversidade de possibilidades, mas corremos o alto risco de ter nossa energia desfocada se não tomarmos cuidado e se não selecionarmos a direção. Sutilmente novas atividades vão surgindo, e por isso, descobri a importância de ter a disciplina de rever esporadicamente onde invisto minha energia.

O mundo de hoje nos faz agregar tantas coisas ao nosso dia-a-dia, flexibilizamos tanto nossa agenda e com tamanha facilidade e nessa balança os custos elevados recaem facilmente na fadiga excessiva. Ser flexível é importante, mas o mundo de hoje nos transforma em pessoas invadidas por atividades. Estar atolado de atividade é bem diferente do que ser flexível. É um mundo agitado que quer nos interromper à todo instante, que nos desfoca com muita facilidade. Quanta energia criativa desperdiçamos porque simplesmente não paramos para anotar uma idéia? Quanta energia criativa podemos estimular com as artes em especial a musica?. Mas muitas vezes somos mero expectadores, nos tornamos apenas apreciadores passivos dos resultados de quem investe seu tempo com estas atividades. Então novamente surge o que já chamei de TDAS – Transtorno de Déficit de Atenção Social.

Me lembro que em 2000 quando fiz pós-graduação em Serviços de Telecomunicações, um dos filmes futuristas que vimos, foi de um pai passeando com seu filho pela plantação de milho. O celular toca e ele pede um instante para o filho para fazer uma rápida conferência com o pessoal do trabalho e depois de finalizar a conferência e enviar os gráficos por email, ele volta a passear com seu filho pela fazenda, com tranqüilidade e transmitindo a sensação de mais tempo livre. Eu achei aquilo um verdadeiro oásis de prazer. Mas o filme que hoje já não é mais futurista, nos trouxe essa tranqüilidade de caminhar pela plantação de milho?. Como está nosso tempo livre?. Temos tempo livre? Como nos sentimos quando temos tempo livre? Por que as pessoas tem tanta dificuldade nas agendas?.

Me pergunto: Onde estamos gastando nossa energia, nossa vitalidade? Nas atividades que desempenhamos, como andam os resultados? O que estamos transmitindo às pessoas?. O que temos recebido de volta?. Percebo à minha volta muita gente que não está presente naquilo que faz.

Infelizmente ainda vivemos num mundo onde poucos tem a opção de viver seu dia como gostariam. Mas as poucas horas onde muitos podem se dedicar ao que querem, simplesmente não conseguem se desligar, silenciar, rever, se organizar e ter disciplina para manter o foco. É preciso gerenciar nossos pensamentos.

Vejo que uma das grandes causas que movimentam esse comportamento nocivo é essa sociedade acelerada, que nos tornam mais fugazes, mais velozes e mais instantâneos, devido ao excesso de estímulos dos quais somos vítimas. Esse reflexo se evidencia em nosso comportamento. O real e o virtual se misturam e nos confundem. O que do virtual é real?. Em que mundo estamos mais presentes: no real ou no virtual?!.

Onde estou investindo minha energia? Pergunta que temos que fazer constantemente, pois o mundo de hoje nos permite ESTAR PRESENTE em vários lugares mas SER PRESENTE é completamente outra coisa.

3 comentários:

  1. Ótimo! Namaste Larissa Leal

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  2. Belo texto para refletir!!! Mario Chipoch

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  3. Larissa e Mario. Obrigada pela leitura e comentários....abs, Ana Luiza

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